A União de Freguesias de Celorico da Beira, São Pedro e Santa Maria, e Vila Boa do Mondego aprovou ontem o novo executivo com oito votos a favor e um contra, definindo Fernando Veiga (PSD) como presidente, Luís Faustino, indicado pelo PS, como tesoureiro, e Catarina Lopes (PSD) como secretária. No entanto, a falta de acordo entre as forças políticas sobre a constituição da Mesa da Assembleia manteve os órgãos por instalar e prolongou um impasse que se arrasta desde as eleições de 22 de Outubro de 2025, que ditaram a distribuição de quatro mandatos para o PSD, outros quatro para o PS e um para o movimento independente liderado por Paulo Caetano.
Para superar este impasse, foi conseguido um acordo para a constituição do executivo numa reunião na sexta-feira (6 de Fevereiro) entre o PSD e o PS, que implicou que Manuel Torres, número dois da lista do PSD, não integrasse o executivo, cumprindo a lei da paridade. Esta solução foi também acolhida pelo movimento independente liderado por Paulo caetano. Nesse encontro, porém, não foi discutida a eleição do presidente e dos secretários da Mesa da Assembleia, o que gerou um novo bloqueio na reunião de ontem, com os eleitos do PS e do PSD a não se entenderem quanto à forma de escolha desses elementos. Perante este cenário, Fernando Veiga suspendeu a reunião e prometeu que os trabalhos só vão continuar assim que chegue o parecer da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).
Fernando Veiga, que levou a candidatura do PSD à vitória, destacou que há entendimento para a constituição do executivo, mas que a eleição da Mesa da Assembleia só deverá ocorrer logo que chegue o parecer solicitado à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. “Vamos pedir o parecer à CCDR e seguiremos as indicações que nos forem sugeridas”, disse, frisando que a inclusão de um elemento do PS no executivo não altera o objectivo do mandato, que passa por garantir o melhor para a freguesia. “Haverá negociação ponto a ponto. Estamos sempre abertos a discutir todas as questões, salvaguardando os interesses dos cidadãos das localidades que fazem parte desta freguesia”, afirmou o presidente da Junta reeleito.
José Peralta, líder da candidatura do PS, explicou que o impasse agora se concentra apenas na constituição da Mesa da Assembleia. “O presidente da Junta eleito não pode propor os nomes para presidente e secretários da Assembleia; isso cabe aos eleitos”, esclareceu, salientando que o PS quer resolver a situação o mais rapidamente possível. “Mas não podemos avançar de qualquer forma; o povo não merece isso. Quem ganha governa, mas não pode fazê-lo sem respeitar a oposição. Não houve maioria absoluta, apenas relativa, e é preciso saber negociar”, concluiu.
O líder do movimento independente Todos por Celorico, que ontem não esteve presente na reunião por motivos de saúde, acusou o presidente da Junta eleito, Fernando Veiga, de colocar “os seus interesses à frente dos interesses dos cidadãos da União de Freguesias”. “Há uma necessidade urgente de se encontrar uma solução. Os interesses particulares não podem sobrepor-se aos interesses da população. Nós apoiámos a solução para o executivo e estamos dispostos a apoiar uma solução para a Assembleia de Freguesias. Mas o presidente da Junta eleito tem de entender, de uma vez por todas, que tem de negociar e deixar de criar entraves ao bom funcionamento das instituições”, explicou ao CBS Paulo Caetano.
O impasse, recorde-se, teve origem no equilíbrio saído das urnas há quase cinco meses, em que o PSD elegeu quatro elementos com 613 votos (45,14 por cento), o PS garantiu quatro eleitos com 507 votos (37,33 por cento) e a lista independente “Todos por Celorico” assegurou um representante com 187 votos (13,77 por cento).
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