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Vários anos depois, EDM contrata empresa para descontaminar água dos radioactivos nas áreas mineiras nos concelhos de Tábua, Nelas, Mangualde, Gouveia e Sabugal

Será absolutamente seguro tomar um banho na barragem da Agueira, especialmente na zona de Ázere e na Senhora da Ribeira nestes dias de grande calor? A pergunta justifica-se, ao tomarmos conhecimento que a empresa responsável pela recuperação ambiental das antigas minas de urânio de Ázere, a EDM, com capitais públicos, vários anos depois de assumir a empreitada, estabeleceu em 24 de junho passado um ajuste direto com a empresa Biosmart – Soluções Ambientais, no valor de cerca de 70 mil euros com vista à realização de trabalhos “que têm a finalidade a descontaminação de água de mina nas áreas mineiras dos radioativos localizados nos concelhos de Tábua, Nelas, Mangualde, Gouveia e Sabugal”. E justifica que esta contratação “se torna imprescindível ao integral cumprimento dos objetivos de recuperação ambiental definidos”.

Causa assim alguma estranheza que tantos anos volvidos, e depois de se ter procedido á selagem das antigas minas, a EDM-Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A.  que detém, em regime de exclusividade, a concessão de serviço público para a Recuperação de Áreas Mineiras Abandonadas, concedida através do Decreto-Lei nº 198-A/2001, venha agora estabelecer um contrato com uma empresa ligada ao ambiente para descontaminar a água da  barragem.

  E como não somos entendidos nesta matérias ambientais, nada melhor do que procurar auscultar a própria EDM sobre os reais motivos desta adjudicação. E com essa finalidade enviamos o seguinte email:

Exmos Srs,

Tendo em vista complementar uma reportagem que estamos a elaborar sobre as obras em curso na zona das antigas minas de urânio em Ázere, Tábua, solicitamos os seguintes esclarecimentos:

Por que motivo a EDM fez um ajuste direto com a BIOSMART no passado dia 24 de junho no valor de cerca de 70 mil euros  tendo em vista a realização de trabalhos de descontaminação de águas de mina mas áreas mineiras radioativas, nomeadamente em Ázere, Mangualde, Nelas e Sabugal, quando no caso concreto de Ázere, as minas estão seladas e as obras concluídas?

Pode-se falar em fugas radioativas, ou suspeitas,  posteriores para o caudal da barragem da Agueira, o que impossibilita a continuação e conclusão do projeto em curso ?

Porque são consideradas imprescindíveis no auto de ajuste direto a realização desses trabalhos? Há riscos para a saúde  das pessoas que frequentam a zona de banhos na Senhora da Ribeira?

Qual o ponto da situação das obras em curso?”.

  Apesar de várias tentativas feitas pelo nosso jornal, a empresa não enviou qualquer resposta até à hora de fecho desta edição. Pensamos nós que seria imprescindível esse esclarecimento, tendo em vista as dúvidas que possam surgir da parte dos tabuenses, concretamente, os residentes na zona de Ázere. Como é o caso de José Oliveira, um nome conhecido da política local, regionalista, defensor das causas ambientais e que nos referiu a respeito desta estranha situação: ”Desde a minha juventude, tinha eu 17 anos, que sempre me bati pela descontaminação daquelas minas que se revelavam fatais para muitos azerenses, chegando a ser ameaçado por campangas para não falar no assunto. Provavelmente terão morrido 50 pessoas em consequência dessa contaminação, um dos últimos foi o Sarmento, que integrou a CDU e que sempre se bateu pela questão das minas. E o meu pai também foi uma das vítimas, depois de andar à pesca naquelas águas. Sobre essa situação, tenho a dizer que se gastaram nessa empreitada 5, 6 milhões de euros, mas não isolaram o terreno, pois deveriam ter colocado uma tela antes de fazer o aterro. Acontece que com as águas vai tudo para a barragem. É uma estupidez as pessoas continuarem tomar banho naquela zona, correm riscos, como se vê agora com esta adjudicação que, no meu entender, peca por tardia”.

 Texto: José Leite

Fotos : Nuno Pereira/ Arquivo

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