O presidente da Câmara Municipal de Nelas, Joaquim Amaral, alcançou um entendimento com o vereador do PS Ilídio Loureiro, permitindo ao PSD assegurar maioria no executivo e ultrapassar o impasse governativo que se arrastava desde as autárquicas de 12 de Outubro. A decisão levou a concelhia socialista a retirar confiança política ao eleito, enquanto o PSD invoca estabilidade e responsabilidade institucional.
O bloqueio resultava da divisão de mandatos saída das eleições, que atribuíram três lugares ao PSD e três ao PS, cabendo ao CDS o sétimo mandato. O PSD elegeu Joaquim Amaral, Nuno Pereira e Elsa Loureiro. O PS elegeu Sofia Relvas, Diogo Figueiredo e Ilídio Loureiro. Manuel Marques, do CDS, foi o sétimo eleito.
Sem maioria absoluta, o executivo permaneceu semanas sem solução estável. O anúncio do acordo, feito por Ilídio Loureiro na semana passada, alterou o equilíbrio de forças. O vereador socialista passa a exercer funções em regime de tempo inteiro.
Em comunicado, citado pelo Diário de Viseu, Ilídio Loureiro justificou a decisão com a necessidade de “assegurar condições de governabilidade do executivo e estabelecer fundamentos para que o nosso concelho possa prosseguir a senda do progresso e do desenvolvimento integrado e harmonioso de todo o território”. Afirmou ter tomado a decisão “em nome do concelho de Nelas, do bem-estar das populações e das comunidades e do desenvolvimento sustentável”, defendendo que a situação de impasse não podia prolongar-se.
A concelhia do PS de Nelas reagiu com a retirada de confiança política ao vereador. Num comunicado intitulado “Uma Maioria Artificial Arranjada”, os socialistas consideram que lealdade política, coerência democrática e respeito pela vontade popular “não são opcionais”, sustentando que o resultado eleitoral impunha diálogo, negociação e compromisso. “Em política não vale tudo”, concluem.
Já o PSD de Nelas enalteceu a decisão de fixar Ilídio Loureiro em regime de tempo inteiro, classificando-a como uma “necessidade objectiva e incontornável” para garantir estabilidade e reforçar a capacidade de intervenção do executivo. Os social-democratas acusam a oposição de bloqueio sistemático da acção governativa e rejeitam que esteja em causa a criação de lugares, defendendo que o concelho precisa de estabilidade.
Por seu lado, o PS critica o que entende ser uma opção despesista, argumentando que a decisão não acrescenta qualidade técnica e serve apenas para garantir uma maioria que os eleitores não atribuíram nas urnas, além de acusar o presidente da Câmara de aumentar os custos com pessoal político depois de ter prometido que não o faria.
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