Vira o disco e toca a mesma é uma frase muito antiga, que por certo já ouviram e que vem do tempo dos famosos discos de vinil, que muitos de nós utilizámos.
Os chamados “singles”, os 45 rotações, tinham o lado A e o lado B e na maioria das vezes reproduzia a mesma musica, de uma lado com voz do cantor e do outro o mesmo tema, mas com instrumental, daí a expressão com que iniciei este texto.
Claro que há mais explicações e ainda bem, porque assim cada um poderá defender a sua ideia sem prejudicar as demais.
Vou amenizar o texto, contando uma pequena história para se perceber melhor o desenvolvimento do mesmo, com uma metáfora, latente, que caberá a cada um tentar decifrar.
Numa festa de casamento, os jovens convivas, tocavam incessantemente, um 45 rotações com um êxito, malicioso, mas que não deixava de ser isso mesmo.
A letra da canção era mais ou menos assim; “ no dia da minha boda, de manhã, beijo na face e à noite beijo na boca”.
Entre os convidados estava alguém, achando que a letra era indecorosa e apanhando o “DJ” distraído, agarrou no disco e exactamente no local onde dizia, “à noite, beijo na boca” , riscou com um canivete.
Quando o disco voltou ao prato do gira-discos, a letra aí estava, com toda a força exclamando” no dia da minha boda, de manhã, beijo na face e à noite, truca, truca, truca”.
E lá vou utilizar mais uma expressão, que traduz bem o resultado da “correcção” e que é “pior a emenda que o soneto”.
Há por aí muitos puritanos, que na tentativa, bacoca, de corrigir o que para eles pode ser ofensivo, o efeito acaba por ser contrário e desastroso.
Voltando ao “vira o disco e toca a mesma”, acabamos por perceber que muitas vezes “saí mos do espeto, para irmos parar à sertã”, que espelha bem o que aconteceu no ultimo acto eleitoral de 18 de Maio de 2025.
Andamos às voltas com eleições, caríssimas e obsoletas, para escolhermos sempre a mesma música, com letra diferente, outro cantor, a mesma banda, mas com músicos diferentes.
Andamos constantemente a reclamar das “notas falsas” e da “desafinação “, mas o nosso ouvido, duro e de fraca qualidade, acaba por premiar quem não merece.
A falta de “memória musical” faz-nos esquecer as inúmeras fracas e lastimosas performances com que nos presentearam ao longo de “tournés”, fastidiosas e doentias.
Os “espectadores” que assistiram aos últimos concertos, já deram um sinal, apesar de ténue, de que estão cansados de tanta pimbalhada e exigem mais qualidade, quer das pautas, quer dos maestros que lideram as bandas.
Após a análise dos resultados, concluo que ficará tudo na mesma, o que irá provocar, a médio prazo, ao cancelamento de muitos concertos, uns pela insistência em tocar desafinado e fora do compasso, outros por falta de experiencia dos “músicos” chamados a interpretar as sinfonias que propuseram tocar.
Dois maestros em cima do palco, a tentarem sobreporem-se um ao outro, sem sequer se preocuparem em interpretar, em uníssono, uma ópera que exige muita concentração, muita qualidade e muita partilha.
O pior disto tudo, é que um dos principais maestros, já disse inúmeras vezes, que não vai aceitar essa partilha, pois pretende ser o dono do palco, do teatro, da partitura e dos músicos.
Já anunciou que não vai aceitar críticas, ameaçando desligar os telefones e cortando nos livros de reclamações, fazendo uns convenientes, ouvidos de mercador.
Não tenham ilusões sobre a qualidade do que aí vem, pois já tempos exemplos de sobra sobre a condução deste maestro e das acções que tomou na condução da sua orquestra.
Há dados importantes a extrair e um deles, será a existência de ex músicos, no meio da sala onde decorrerão os concertos e que irão fazer tanto barulho, que não permitirão que os executantes possam explanar a sua “música”, enfim ressabiados e incompetentes, expulsos das suas medíocres e desvalorizadas orquestras.
O ruído será tão ensurdecedor, que tudo farão para boicotar os espectáculos, como aliás já o fizeram enquanto protagonistas, dando mostras do seu valor medíocre.
Será necessário um controle e disciplina na sala do “espectáculo”, pois músicos de tão má qualidade, serão péssimos ouvintes, carregando consigo as suas limitações.
Os portugueses acabaram de entregar o ouro aos bandidos, não por falta de aviso, mas por medo e cobardia.
Um dia, ao acordarem, darão conta de trem acordado no chão, pois até o colchão voou.
Autor: Fernando Roldão
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