Estamos a poucos dias das eleições autárquicas. Aquilo que manifestei há cerca de um ano, é agora tempo de explicar.
Em Oliveira do Hospital, as eleições para a câmara municipal seguem um padrão que se repete há três mandatos. Votam, sem grandes variações, cerca de doze mil pessoas. São precisos, em média, mil trezentos e cinquenta votos para eleger um vereador. Feitas as contas, sobram cerca de dois mil e quinhentos votos — perto de vinte por cento — que não elegem ninguém.
É o voto inútil. Um em cada cinco votos perde-se. Muitos partidos promovem essa dispersão, porque lhes convém dividir para reinar. Apesar dos resultados residuais, cada voto conta para as suas contas. Recebem verbas por cada um deles. Não se preocupam com o resultado final.
Tendo sido candidato nas últimas eleições, quis perceber como tudo funciona — e como deveria funcionar. Falei com dois partidos locais e com o grupo de independentes de que fazia parte. A intenção era criar pontes, unir forças, evitar o desperdício de votos.
Houve reuniões, houve propostas. O objectivo era simples: uma lista de direita com o maior número possível de partidos, grupos independentes e cidadãos. Mas nada resultou. Cada um quis seguir o seu caminho.
A política devia servir, não servir-se. Mas há quem confunda o interesse público com o seu próprio ego. Há quem defenda lugares como se fossem propriedade pessoal. Há quem não saiba ceder.
Com a minha equipa, decidimos ser coerentes. Não apresentámos listas como independentes nem sob outra bandeira partidária. Defendíamos um projecto comum, e ele não se concretizou.
Quem está no poder, agradece. As divisões servem-lhe bem. Sabemos todos que a demissão colectiva da estrutura local do Chega teve influência de pessoas ligadas ao PS. E que contou com o apoio da distrital de Coimbra, que chegou a ultrapassar limites graves. A justiça esclareceu os factos. Ficou claro quem era quem.
O PS local preparou o terreno com tempo. Dividir para reinar. Tornar votos úteis em inúteis, e vice-versa. Houve quem acreditasse nas promessas, e houve quem preferisse manter-se fiel à sua consciência.
No domingo, 12 de Outubro, cada um fará a sua escolha. Que o faça com consciência. Quase vinte por cento dos votos não elegem ninguém. Veja se o seu é um deles.
Autor: António José Cardoso
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc
