Câmara Municipal entretém-se no foguetório propagandístico…
Com a Lei nº 23/93, de 2 de Julho, a Assembleia da República aprovou, por unanimidade, a elevação a Cidade da até então vila de Oliveira do Hospital. E, sobre um tal acontecimento, manifestaram-se entusiásticas as declarações dos Oliveirenses, a começar pelos Autarcas seguidos, aliás, pela larga maioria das «forças vivas» concelhias mais ativas.
E só quase em surdina os experientes «Velhos do Restelo» (como nós…) se ouviram a alertar que a maior certeza de «evolução» na novel Cidade e no Município seriam os aumentos inerentes de impostos, taxas e tarifas municipais, o que cedo se verificou…
Entretanto, reconheça-se que foram genuínas a vontade e a expetativa positiva dos que pugnaram ativamente pela elevação de Oliveira do Hospital a cidade, muitos dos quais se bateram, com maior ou menor sucesso, por benefícios locais por aí mais possíveis. Reconheça-se-lhes pois, e agradeça-se-lhes, o esforço e as boas intenções.
Entretanto, quais os «marcos» mais visíveis da caminhada durante estes 30 anos ?
Sem dúvida que a Cidade evoluiu, está mais bonita, mesmo mais funcional, o que se pode aplicar ao aspeto geral das Aldeias e Vilas. Mas esta boa evolução não nos deve atirar como «cordeirinhos» para dentro das autênticas barragens de pura propaganda panegírica que a Câmara Municipal já está a ensaiar a pretexto da efeméride. É vermos declarações e publicações que já saem umas atrás das outras.
Mas também, pudera, algo com impato teria de se ver tendo em conta o volume total dos investimentos públicos (e de investimentos privados) a começar pelos investimentos municipais executados – enfim apesar de arriscado, adiantamos um valor total na ordem dos 500 milhões de euros (ou mais) em 30 anos que foram gastos pelas várias Câmaras, a que se deve juntar os investimentos aplicados pela Administração Central. E que hoje muito mais já deveria estar à vista, e falamos de 3 ou 4 grandes Obras Municipais que andam para aí em derrapagens continuadas, falamos da rede, por fazer, de acessos funcionais à Cidade e de outros acessos mais abertos como o «malogrado» IC 6.
Mas o «indicador dos indicadores», aquele que, objetivamente, nos dá conta da vida das Pessoas, esse indicador diz-nos que, afinal, se tem reduzido o número de Habitantes do Município de Oliveira do Hospital !
Agora, a conversa oficial centra-se, e como já se disse, nas declarações tão empoladas como oportunisticamente ignorantes destes aspetos… Mas consulte-se os sensos populacionais periódicos, desde 1991 (dois anos antes da elevação a Cidade) em que havia 22 584 habitantes – até 2021/22 (28 anos depois) com apenas 19 413 habitantes. Veremos pois que a População do Município reduziu em 3 171 habitantes o que dá uma redução de 14% comparativamente com 1991. Mas pior ainda :- a percentagem de Jovens residentes passou de uma percentagem de 19% em 1991 para apenas 11% em 2021, enquanto também reduzia bastante o índice de natalidade. Ao mesmo tempo, a percentagem da População a viver sozinha aumentou de 5,3% em 1991 para 9,4% em 2021. E desde 2001 a percentagem de População a servir-se de transportes públicos passou de 19,6% para 10,4 % em 2021 o que indica a redução «per capita» deste serviço de acesso público. Portanto, um conjunto de indicadores – negativos – que deveria ser enfrentado, com coragem e determinação, pelas Entidade com especiais responsabilidades na nossa vida coletiva em vez de os tentarem «varrer para debaixo da carpete» dos Paços do Concelho ou atirar para as catacumbas das suas consciências…
Mas temos mais a considerar nesta altura do «campeonato» : De 1993 para cá, Oliveira do Hospital perdeu valências económicas e sociais várias e temos a certeza que nos vai falhar algum caso mais. Assim:- perdeu várias valências da Zona Agrária – perdeu o SAP – das «Urgências» do Centro de Saúde – perdeu médicos de família – perdeu 5 Freguesias – perdeu Transportes Públicos – até já perdeu a Sede da Caixa Agrícola. E também se perdeu o «Matadouro Regional» (Chamusca), aliás em boa parte gerado, à época, pelo esforço municipal”. Mais recentemente, o FC Oliveira do Hospital subiu de Divisão e, como que por castigo pelo esforço, tem que ir jogar futebol sénior fora do Município por não dispor de um Estádio Municipal adequado às novas exigências. E, pelos visos, assim vai continuar a ser o que, na circunstância, será um autêntico escândalo… Recente artigo de opinião de um conhecido e experiente empresário das Confeções, aponta para preocupantes dificuldades neste emblemático ramo empresarial. Afiança-se que o Ambiente está em estado lastimoso, sobretudo com a poluição de Rios e Ribeiros e com a perigosa falta de Florestação das áreas ardidas.
Dir-se-á que ainda estaríamos pior se Oliveira do Hospital se mantivesse como Vila. Bem sabemos que esta espécie de argumento é esgrimida mas também afirmamos que a experiência que tem sido feita é com Oliveira do Hospital como Cidade e não enquanto Vila que o deixou de ser em 1993. Portanto haja coragem em não tentar especular com efeitos retroativos. É viciar as premissas…
O tão propalado «as Pessoas primeiro !» exige essa seriedade institucional e pessoal ! E exige medidas específicas, e não propaganda fácil, e quer da parte do Governo Central quer da parte do Poder Local.
Autor: Carlos Martelo
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