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A beleza do Alva, os açudes e os receios de António Silva

O rio Alva é uma das paixões de António Silva. Gosta de sentir o sussurrar da corrente a passar sobre o açude do lagar do Alva e a queda da água a jusante. “É algo de extraordinário este espelho de água. Este som. Temos de zelar por tudo isto”, refere este empresário da restauração que, para instalar o seu estabelecimento, recuperou há 27 anos uma estrutura que era ao mesmo tempo um antigo moinho de farinha e lagar de azeitona, que tinha como motor as águas do Alva. Em Coja, concelho de Arganil. Silva mostra-se um verdadeiro defensor do curso de água e de todas as tradições que lhe estão associados.

“Temos de preservar aquilo que os nossos antepassados nos deixaram”, conta. Este empresário fala em projectos. Conta do seu plano ambicioso que lhe permitirá gerar energia limpa para o seu estabelecimento através da corrente de água. “O Alva dá-nos quase tudo”, conta, sem esconder, porém, que nem tudo são rosas e que há muitos que não se importam com aquele leito de água. Já perdeu a conta às vezes que ligou para Lisboa para o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR a dar conta de descargas ilegais que toldam a água límpida com uma espuma branca.

“São descargas de ETAR, a GNR vem, mas nunca mais resolvem isto”, continua António que faz questão de que o seu estabelecimento tenha uma varanda quase sobre o leito de água. Um local simpático. Com o som e a vista do rio. E é com orgulho que exibe o alvará hídrico sobre o açude que se encontra paredes meias com o seu restaurante. “Sou eu que tenho a responsabilidade de o manter”, atira.

Mas mais abaixo, conta António Silva, temos o açude das Rabaças. Está em mau estado para desespero deste empresário. Já caiu um bocado como confirmou o CBS. “E se ninguém lhe deitar a mão vai cair o resto. É uma pena”, lamenta, frisando que se quem tem o alvará daquele açude não o recupera deverá ser expropriado e as instituições públicas assumirem aquilo “que é um bem para todos”. E explica que neste momento existem fundos europeus que permitem financiamentos para estes projectos com uma comparticipação a 100 por cento. “Tem de se aproveitar. A CCDR e a Agência Portuguesa do Ambiente deviam dar o exemplo”, acusa, defendo projectos para a recuperação dos açudes e do tratamento do rio.

“A água é vital par a vida, para a saúde, para os animais e para a agricultura. Temos de tomar conta daquilo que os nossos antepassados nos deixaram e que se mostram extremamente eficazes a estabilizar o caudal e a manter um largo espelho de água de rara beleza que é fundamental para o turismo. Mas está tudo abandonado”, continua. “Em vez de andarem a pensar em construir barragens, deviam era recuperar os açudes, moinhos, margens, enfim, tratar do rio”, sublinha. “tudo isto é muito importante para o turismo, mas também para a  saúde das populações e para aqueles que procuram fixar-se neste espaço para viver com tranquilidade”, conta. “Vamos preservar o que os nossos antepassados nos deixaram”, conclui.

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