Quando em 2009 um grupo de pessoas se disponibilizou para que a mudança de políticas em Oliveira do Hospital fosse uma realidade, para que um projecto de desenvolvimento do concelho avançasse, permitindo ao município acompanhar o desenvolvimento de outros territórios do interior do país, “como, por exemplo, o Fundão”, estavam longe de pensar que quase tudo não seriam mais que promessas. Os compromissos assumidos pelo autarca e pela sua equipa perante os seus apoiantes, lamentavelmente, não passaram de quimeras. Podemos, entre outros, recordar as tão propaladas acessibilidades, como IC6, IC7, e IC 37, que já o anterior presidente de Câmara, no poder até 2009, se limitou a prometer, sem as concretizar. Lembrar o compromisso da construção de zonas industriais, algumas não executadas e outras feitas sem condições de futuro, de tal forma que foram mais as empresas que encerraram que aquelas que abriram, reduzindo o número de postos de trabalho existentes (isto retirando, claro, os POCs e cursos pouco adequados ao tecido empresarial do concelho). E se nada for feito para cativar e engrandecer as empresas ainda existentes, também algumas delas poderão seguir o mesmo caminho, encerrando ou deslocando a produção. Aumento só o da desertificação, como demonstram os censos.
Como é possível em três mandatos, o ex-presidente e agora deputado ter permitido esta degradação de um concelho que é o maior centro populacional do Pinhal Interior Norte? Só se pode lamentar este percurso em que a perda de serviços foi uma constante, como a saúde, a justiça, as águas, a sede Caixa de Crédito Agrícola, entre outros, e ainda os acessos à cidade que foram prometidos e que permanecem indignos de uma urbe como Oliveira do Hospital. Será que aprenderam com Coimbra onde alguns centros de decisão de grande importância tais como, entre outros, o da agricultura, do turismo, da economia, aos quais se poderá juntar a deslocalização do Tribunal Administrativo e Fiscal? Onde andam os verdadeiros políticos deste concelho de Oliveira do Hospital e desta região de Coimbra? Será que estão a defender as causas para que foram eleitos enquanto presidentes de Câmara e deputados? E não se pode dizer que a actual situação seja uma inevitabilidade. O concelho de Cantanhede, por exemplo, demonstra que pode existir desenvolvimento. Haja autarcas e políticos competentes.
Mas voltando ao complexo desportivo que não existe em Oliveira do Hospital, um concelho onde o emblema mais representativo no futebol tem que se deslocar a estádios dos concelhos vizinhos para realizar treinos e jogos oficiais. Convém enfatizar que a construção dessa infra-estrutura era uma das promessas da “enganadora candidatura de 2009”. Mas até aos dias de hoje não passa de uma miragem. E, depois, há opções que não se entendem. Para quê gastar mais um milhão no arranjo do velhinho estádio que já consumiu várias centenas de milhares euros ao longo dos últimos anos quando se sabe que continuará a não ter condições para receber jogos da Liga 3 ou de escalões superiores? É incompreensível.
Enquanto apoiante dessa candidatura que levou o Partido Socialista ao poder, não me considero culpado pela actual situação. Também fui enganado. Ainda assim, sinto que esta é uma estrutura necessária para a cidade e quero ajudar na solução. Estou, por isso, na disposição de ceder um terreno para que o município oliveirense possa fazer o seu estádio ou complexo desportivo, aproveitando desde logo na sua construção este milhão de euros, actualmente alocado a obras no velhinho recinto.
Penso que o actual presidente não pode ficar alheio a este facto e ao desenvolvimento deste projecto, até porque também ele exerceu elevadas responsabilidades políticas nos três anteriores mandatos (vice-presidente). E tem agora a garantia de um terreno, cedido exclusivamente para este fim, numa localização que confina com o concelho de Tábua. As promessas das pessoas de bem são para cumprir e mais vale tarde do que nunca.
Autor: Fernando Tavares Pereira
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