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Bombeiro da corporação de Vila Nova de Oliveirinha que perdeu a noiva e o cunhado no incêndio de Nelas acusa Governo de falta de apoio

O bombeiro Francisco Cunha, que sobreviveu ao incêndio em que morreram três operacionais da corporação de Vila Nova de Oliveirinha, no concelho de Tábua, incluindo a sua noiva e o cunhado, acusou o Governo de falta de apoio. Francisco, recorde-se, perdeu três companheiros de corporação – entre os quais a noiva e o cunhado – no fatídico dia 17 de setembro do ano passado durante o combate às chamas de um incêndio em Nelas. O bombeiro conseguiu escapar com vida, assim como outros colegas.

Numa entrevista ao programa Júlia, da SIC, Francisco Cunha lamentou que apenas tenha recebido apoio psicológico no imediato e que, passados seis meses da tragédia, nem os sobreviventes nem os familiares das vítimas tenham acompanhamento.

“Isto é tudo muito bonito ao início. Apoio psicológico houve… ao início. Mas hoje, se eu quiser ter, tenho de ir à procura. Tudo o que seja Governo Central desapareceu. Nunca mais me ligaram: ‘Francisco, estás bem? Precisas de alguma coisa?’. Não é só o que perdi, pela Sónia. É também pelo que passei. Também vi a minha morte. Também tive de fugir. Vivi o momento e acho que as pessoas esquecem-se disso”, afirmou.

O bombeiro defendeu que “o Governo tem de pensar, tem de criar equipas para o pós”. “Não é só para o início. No início há muita ajuda […]. Mas com o passar do tempo, não há”, acrescentou.

Francisco Cunha lembrou que a falta de apoio não afecta apenas a sua família, mas também os familiares de outras vítimas de incêndios. “Seja eu, seja a mãe da Sónia, seja a irmã da Sónia, seja os cinco militares da GNR também que morreram. Eles também tinham família. Somos pessoas… somos humanos, precisamos de ajuda”, frisou, criticando a falta de acompanhamento.

Visivelmente consternado, afirmou que não consegue esquecer “o mar de chamas” nem “o cheiro”. “Os eucaliptos, o fumo. Tudo o que eu vivi vem-me muito à memória. Isto assombra-me a todos os minutos. Nunca me vou esquecer”, concluiu.

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