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“Dança dos Cus” ao local onde os homens se mascaram de mulheres e as mulheres mascaram de homens: tradições e curiosidades de Carnaval no Centro de Portugal

O Carnaval assume uma importância significativa no Centro de Portugal. Esta festividade anual une comunidades, em alguns casos há séculos, e proporciona aos visitantes uma experiência única e memorável.

Com raízes profundas na sua rica herança cultural, o Carnaval no Centro de Portugal destaca-se pela fusão de tradições antigas e elementos contemporâneos. Conheça algumas das tradições mais emblemáticas do Entrudo no Centro de Portugal:

CARREGAL DO SAL

“Dança dos Cus” em Cabanas de Viriato – Uma tradição peculiar

A peculiar tradição da “Dança dos Cus” faz de Cabanas de Viriato, em Carregal do Sal, um local único durante as festividades do Carnaval. Diferenciando-se de muitos outros carnavais de maior projecção no país, Cabanas de Viriato opta por preservar uma tradição secular e inigualável.

Esta prática remonta ao século XIX, quando, entusiasmados pelos aplausos recebidos após uma apresentação no Teatro dos Bombeiros, os actores decidiram levar a celebração para as ruas da vila.

Foi assim que nasceu a famosa “dança grande”, mais tarde baptizada de “dança dos cus”. Nesta dança peculiar, os participantes desfilam vestidos, mas preparados para um choque engraçado: ao terceiro compasso da música, os pares, divididos em duas filas, voltam-se para o centro e chocam os traseiros. Este momento extravagante, cheio de humor e espontaneidade, tornou-se uma atração emblemática do Carnaval de Cabanas de Viriato.

A Associação de Carnaval de Cabanas de Viriato mantém viva essa tradição secular, organizando o evento anualmente. Com mais de 100 anos de história, o Carnaval preserva sua autenticidade e encanta pela sua forma “desorganizada”, espontânea e natural.

Ao som da valsa da Filarmónica e com a presença de cabeçudos, a dança dos Cus ganha vida, atraindo turistas curiosos que desejam testemunhar essa manifestação cultural única e divertidas.

NELAS

Canas de Senhorim, uma tradição ancestral

O Carnaval em Canas de Senhorim tem raízes profundas na história local. Nasceu com a formação dos bairros do Paço, na zona nobre, e do Rossio, onde se instalou o povo e a burguesia. A diferença social dos seus habitantes foi razão suficiente para que estes dois grupos se confrontassem no Carnaval, altura do ano propícia à denúncia e à crítica, sem ninguém “levar a mal”.

O Carnaval de Canas de Senhorim tem início logo no dia 6 de Janeiro, Dia de Reis, com as Paneladas. Originariamente, era a altura em que os mascarados saiam pelas ruas e, aproveitando os tradicionais postigos das portas, atiravam para dentro das casas panelas de barro velhas, cheias de cinzas e bugalhas, provocando grande estrondo e confusão. No entanto, este costume tem vindo a desaparecer.

Actualmente, a festa oficializa-se no Domingo Gordo, em que as duas marchas rivais saem à rua, preparando o grande desfile carnavalesco de Terça-Feira. Na Segunda-Feira de Carnaval, pela manhã, acontece a Farinhada, em que as raparigas que saem de casa, até ao meio dia, correm o risco de serem enfarinhadas. À tarde, é a Segunda-Feira das Velhas: cantam-se marchas antigas e o desfile faz-se com fatos alusivos ao passado.

O Carnaval termina na Quarta-Feira de Cinzas, com a Queima do Entrudo. Depois da Batatada, jantar de grupo cujo prato principal é o bacalhau com batatas, ovos, hortaliça, pão e vinho, o palhaço do Entrudo é passeado pelas ruas, fazendo-se a despedida do Carnaval. Depois da leitura do testamento, o boneco é queimado em público, determinando o fim da festa e o início da Quaresma.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

GÓIS

Corrida do Entrudo nas Aldeias do Xisto de Góis

Nas Aldeias do Xisto de Góis, o Entrudo vivia-se de forma simples. Procurava-se roupa e objectos velhos, algo que ocultasse o rosto. Os mais criativos e engenhosos usavam uma máscara feita a partir de cortiça, a imagem de marca da iniciativa que ainda hoje acontece. Recuperada pela Lousitânea, esta tradição anima as ruas estreitas e as praças históricas das Aldeia do Xisto de Aigra Nova e das aldeias vizinhas, em palcos vivos de celebração, todos os anos no Carnaval.

Esta prática, que remonta a tempos imemoriais, representa uma fusão única entre a alegria popular e as raízes culturais profundas que caracterizam a região.

Por esta altura, há espaço para o bailarico ao som das concertinas, o Jogo do Pau, a queima do Entrudo, o atelier de máscaras de cortiça e a declamação das quadras jocosas.

FIGUEIRA DE CASTELO RODRIGO

Onde as mulheres se mascaram de homens e os homens de mulher

O Entrudo Lagarteiro corresponde a uma tradição de uma aldeia do concelho Figueira de Castelo Rodrigo, Vilar de Amargo.

Aqui, as mulheres mascaram-se de homem e os homens de mulher, usando rendas e máscaras de cortiça com o objectivo de esconderem a face, impossibilitando, por conseguinte, a respectiva identificação nas brincadeiras e pantominices típicas da ocasião. É uma forma própria e distinta de vivenciar a época carnavalesca, num evento que contempla actividades tão diversas como provas gastronómicas, teatros, espectáculos de fogo e caminhadas, entre outros.

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