Estamos a pouco mais de um ano das eleições autárquicas e estando por cá alguns emigrantes, infelizmente este ano não são tantos como anteriormente, porque a pandemia tem sido uma causa respeitada e muito grave para todos os países, sinto necessidade de, mais uma vez, pedir para que os políticos da nossa região se unam e defendam de uma vez por todas as acessibilidades já prometidas há dezenas de anos. As condições estão reunidas. Temos 80 por cento dos municípios da região liderados pelo PS, a mesma cor do governo. Julgo, até por isso, ser oportuno pressionar o nosso governo para cumprir o que nos vem sendo prometido. Oportunidades destas houve bastantes, mas nunca chegaram a bom termo.
E, infelizmente, continuamos a não poder desenvolver as actividades empresariais, comerciais e agrícolas, em condições de igualdade com o resto de um país que dispõe de transportes marítimos, ferroviários e rodoviários por onde escoar todos os produtos. Só quando tivermos as ambicionadas e prometidas acessibilidades poderemos, com alguma equidade, desenvolver convenientemente as actividades económicas neste pedaço do nosso país.
Não podemos continuar a perder tempo por estas estradas, onde, teoricamente, se pode circular a 90 quilómetros por hora, mas, na realidade, é impossível devido ao intenso tráfego de pesados de mercadorias. A somar a tudo isto, uma pequena ultrapassagem acima dos 50 quilómetros e lá temos a vigia de todos nós (GNR) que rapidamente nos envia cartas de agradecimento com coimas para entregarmos dinheiro aos cofres do Estado. Há também os acidentes. E os políticos da nossa região nada fazem para nos defender.
Não se pode defender aeroportos, esquecendo-se aquilo que a região mais necessita. E precisamos é de boas acessibilidades. Será a melhor forma de travar a actual desertificação. Se nada for feito, daqui a umas dezenas de anos, possivelmente já não estaremos presentes, os nossos filhos e netos dirão que quem passou por estes concelhos não foi competente. Que não foi capaz de acompanhar o desenvolvimento, dotando o território das infraestruturas necessárias para que a vida fluísse normalmente. Que não teve a competência de manter a criação de riqueza. Será assim que serão recordados.
Vamos todos reflectir e dizer que já basta de mentiras e enganos para com esta região. Caso contrário corremos o risco de perder as nossas origens e cultura que, com o esforço de muitos, ainda se têm mantido até aos dias de hoje. Mas para existir cultura tem de haver desenvolvimento, caso contrário é impossível de manter uma vez que a desertificação, a cada dia que passa, mais nos afecta.
Autor: Fernando Tavares Pereira
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