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Estocolmo. Autor: Fernando Roldão

Este texto não é sobre Estocolmo, capital da Suécia, que só conheço por meio do cinema, de vídeos ou fotos. Abrange 14 ilhas e mais de 50 pontes num arquipélago extenso no Mar Báltico., remontando a sua origem ao ano 1250, século XIII.

O Palácio Real de Estocolmo (Kungliga Slottet) e o Museu Nobel, dedicado ao Prémio Nobel, são duas referências mundiais importantes.

Esta cidade é também conhecida pelo Sindroma de Estocolmo, que é uma condição psicológica, em que vítimas de sequestro, abuso ou cativeiro, desenvolvem uma ligação emocional, com os agressores.

O termo surgiu após um assalto a um banco em Estocolmo, no ano de 1973, onde os reféns desenvolveram laços emocionais com os assaltantes.

Este sindroma requer acompanhamento psicológico profissional, como a psicoterapia.

Pode tornar-se grave, tanto mais que começa por alimentar uma simpatia com o agressor ou até afecto, iniciando um mecanismo que retrai a própria defesa, contrariando aquilo que está consignada na lei em muitos países, onde a auto defesa é legal.

Tem sintomas e características, que vão desde o vínculo emocional, mecanismos de sobrevivência, sentimentos contra a ordem e as autoridades, bem como justificações das acções.

A vítima cria um laço de empatia, afecto ou amor com o agressor, transformado num mecanismo de defesa inconsciente para lidar com a situação de medo extremo, levando-a a ver o agressor como protector.

Um dos maiores riscos acontece quando cria um sentimento contra as autoridades ou polícias, pois sente que não estão a proteger os seus interesses, dificultando a sua libertação e consequente segurança.

Ao mesmo tempo vai começando a justificar as acções do agressor, achando que as suas razões são válidas, apoiando-as.

Depois de mais um acto eleitoral, em que as intenções de voto são praticamente sempre as mesmas, levando-me a concluir que o povo português precisa de um tratamento ao sindroma que transporta consigo há várias décadas.

É um caso de quase de patologia colectiva, que precisa de ser tratada urgentemente.

Apoia os seus carrascos, ditadores e de lapidadores, quer da sua qualidade de vida, quer dos seus direitos básicos de liberdade.

O povo português ao invés de lutar pela sua liberdade e bem-estar, vai defendendo melhorias na qualidade de vida das suas prisões, acomodando-se numa apatia doentia

Luta para ter melhores condições dentro da prisão onde foi colocado, ao invés de lutar para derrubar os muros da mesma e se tornar num cidadão verdadeiramente livre, instruído e participativo.

Paradoxalmente passa a vida a reclamar e a contestar falando sozinho, como se isso o tirasse da agonia psicológica em que vive o seu quotidiano.

Há tratamento para o sindroma de Estocolmo, que começa por uma avaliação profissional, recorrendo a um psicólogo ou psiquiatra, iniciando uma psicoterapia, que irá ajudar a processar os sentimentos e a lidar com a situação.

Nos casos mais graves, e são muitos, há necessidade de prescrição médica a fim de controlar os sintomas de ansiedade ou depressão.

Obviamente que a família e os amigos têm um papel importante na ajuda que possa conduzir à cura e consequente libertação da patologia. Só assim o povo português poderá votar em liberdade e em plena consciência da sua salubridade mental.

Meio século depois de uma pseudo revolução, os sintomas têm vindo a piorar e os comportamentos sociais vão tomando formas obscenas, ao ponto de inverter valores morais pelos quais os cidadãos se regiam até então.

É tudo meio estranho, pois o tal sindroma instalou-se de armas e bagagens, toldando os sentidos do povo, que já perdeu a sua verdadeira identidade,

Relembro o dia 22 de Maio de 2021, em que nestas mesmas páginas eu assinava um artigo com o título “ Mudar Mentalidades”.

Ao fim destes anos todos, as mentalidades, ao invés de mudarem, retrocederam, tudo por culpa dessa malvada patologia que não deixa ver o óbvio.

.Em minha opinião não vale a pena continuar a votar, qualquer que seja o motivo enquanto, a patologia não for tratada ou erradicada..

Oiço pessoas com cultura mais do que suficiente, capazes de contribuir para essa mudança que precisamos, como de pão para boca, mas eles, principais interessados em defender, em primeiro lugar os “agressores” e em segundo lugar, passarem para o lado dos mesmos.

Enquanto espectador do circo partidário, ao ver uma sessão de esclarecimento, numa sala quase vazia, onde metade são candidatos e a outra metade, familiares dos mesmos.

Ataques, sem ninguém a questionar a maneira como as promessas irão ser concretizadas, é no mínimo, surrealista e doentio.

Quanto mais me bates, mais gosto de ti.

 

 

Autor: Fernando Roldão

Artigo escrito pelo antigo acordo ortográfico

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