A localidade de Fornotelheiro, no concelho de Celorico da Beira, recebe no próximo domingo a nona edição do Festival do Requeijão, um evento que visa promover este produto emblemático, directamente ligado à pastorícia e ao leite das ovelhas bordaleira e churra mondegueira, das quais se produz o afamado queijo Serra da Estrela. Os quatro produtores registados naquela freguesia terão os seus requeijões vendidos pela Junta de Freguesia, que organiza o certame, e prevê-se que esgotem rapidamente, dado que são esperados cerca de mil visitantes. No recinto estarão ainda 20 expositores com produtos endógenos, como queijo Serra da Estrela, mel, pão, doçaria tradicional ou licores.
A iniciativa, que nasceu em 2015, surgiu, segundo o principal mentor da ideia e actual presidente da Junta de Freguesia de Fornotelheiro, Bruno Almeida, para promover algo que, no seu entender, não estava a receber o reconhecimento merecido. “Achámos que, ao contrário do borrego e do queijo Serra da Estrela, o requeijão não estava a ter a divulgação e valorização devidas nesta fileira. Este evento foi a forma de chamar a atenção para um artigo de excelência, injustamente considerado como um subproduto. “, afirmou. Desde então, explica o autarca, o festival tem vindo a consolidar-se e hoje, acrescenta, “a freguesia de Fornotelheiro já é associada a este produto de eleição, sendo mesmo conhecida como a Capital do Requeijão”. “Esta é uma vitória do trabalho que tem sido desenvolvido”, nota.
Salientando que os requeijões que a Junta de Freguesia adquiriu junto dos produtores para revender no festival esgotam rapidamente, Bruno Almeida sublinha que devem ser tomadas medidas para atrair mais gente para esta actividade. “Este é um pequeno contributo para que não se perca um produto genuíno aqui da nossa terra e que tem uma produção muito aquém da procura. Gostaríamos, pelo menos, que os pastores que deixaram de transformar o leite e passaram a vendê-lo às queijarias quase industriais voltassem a produzir queijo e requeijão. Resumindo: temos pouco requeijão, mas com uma qualidade elevadíssima”, frisou Bruno Almeida, para quem as entidades de poder regional e central devem tomar medidas para que esta actividade seja atractiva. “Seria extremamente importante para a economia local e para preservar produtos tradicionais e de uma qualidade ímpar.
Para além da venda e degustação de produtos locais, o festival inclui diversas actividades. Uma das mais procuradas é a caminhada Rota do Requeijão, que conta com 300 elementos inscritos (as inscrições encerraram na terça-feira), e tem um percurso que leva os caminhantes pelos territórios onde pastam as ovelhas, com paragem, este ano, na queijaria Quinta da Moita para uma prova de requeijão e queijo.
O evento inclui ainda um concurso de bolos, no qual o requeijão é ingrediente obrigatório. As iguarias podem ser entregues até às 15h00 de domingo para avaliação. A Escola Superior de Hotelaria de Seia também marcará presença, promovendo degustações de produtos confeccionados com requeijão. O festival contará ainda com animação variada, culminando com um espectáculo da cantora popular Rosinha.
Mais do que uma mostra gastronómica, o Festival do Requeijão reafirma a identidade de Fornotelheiro e valoriza a tradição de um produto que faz parte da cultura e economia local. Com o crescimento dos últimos anos, Bruno Almeida reconhece que um dia já é pouco para este evento e acredita que, no próximo ano, poderá passar para dois dias. “Mas temos sempre a limitação logística de uma pequena estrutura como é a nossa Junta de Freguesia”, conclui.
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