Desta vez, surge a notícia – a propaganda mantém-se – de 7,5 milhões do PRR Plano de Recuperação e Resiliência, para a Zona Industrial. Seja como for, trata-se do nosso dinheirinho público venha da União Europeia, venha do Orçamento do Estado Nacional.
Por isso, não nos deve bastar a «conversa» oficial do Presidente da Câmara em torno de não se sabe quantas vantagens «modernaças» que um tal investimento trará, como as frequências «5 G» (quinta geração) das telecomunicações, mais o «hidrogénio líquido», para a Zona Industrial da Cidade, com o «gás natural» de permeio. Para já, essa é a cobertura propagandística em que estão especializados também por cá.
Primeira pergunta: considerando que os maiores beneficiários dos 7, 5 milhões vão ser grandes empresas (privadas) que se instalem na futura Zona Industrial, algumas delas já anunciadas pelo Presidente da Câmara, assim tipo «executivo» das mesmas, nesses tais 7,5 milhões de euros há ou não, e em que percentagem, comparticipações privadas – dessas empresas – para um tal investimento? E investimento municipal directo ou indirecto também haverá, inclusive em infra-estruturas municipais específicas?
– Considerando que as grandes empresas – quase sempre com sede fiscal fora do nosso País – vão beneficiar dos nossos dinheirinhos públicos, através de iniciativa pública por parte da Câmara Municipal, do Governo e da União Europeia, que asseguram elas, e em que condições práticas, como «retorno» económico e social, desde logo para o nosso Município??
– É uso, feito um autêntico cambalacho propagandístico entre os «figuraços» do sistema, em que a «conversa da treta» de uns e outros roda sempre «na criação de não sei quantos postos de trabalho» … Bem, como aliás é óbvio, reconhecemos não ser indiferente essa contribuição social, para lá de económica, desejavelmente proporcionada pelo investimento reprodutivo em bens e serviços. Porém, mas que tipo de trabalho no caso em apreço? E como será ele remunerado e para que trabalhadores(as)? Temos cá entre nós uma experiência que desmascara a essência dessa «conversa da treta» e que, há já alguns anos, se alojou em espaço público da Câmara no novo Mercado Municipal. Entretanto, passou os trabalhadores para o teletrabalho e o tal espaço municipal está a degradar-se também por abandono de utilização. Agora, quem o arranja e paga? Além do mais, esses Trabalhadores (uns 50 de início e «especializados» no ofício) recebem na base do salário mínimo mais uns «prémios» quando calha quer dizer, são «abusados» pelas empresas que gerem uma actividade em princípio altamente lucrativa.
Portanto, quem vier – as grandes empresas – usufruir dessas condições, que garantias dá à partida de respeitar os seus Trabalhadores com trabalho com direitos e convenientemente remunerado? E onde vão pagar o grosso dos impostos, essas empresas?
Então, Sr. Presidente da Câmara e Executivo Municipal?
E os apoios a definir para os pequenos e médios Empresários e seus Trabalhadores??
Às tantas, feitas outras e melhores contas, com o dinheiro público a investir para nutrir os interesses e aumentar os lucros dessas grandes empresas, apoiava-se umas mil pequenas e médias empresas – de base mais local ou regional – que poderiam gerar empregos em número muitas e muitas vezes maior do que possam vir a criar as grandes e concentradas empresas carregadas ou não de tecnologias ! E que pelo menos alguns impostos iriam pagar «cá dentro».
As empresas de instalação do gás natural dão cabo das estradas, das ruas e outras infra-estruturas e repõem normalmente mal esses danos…para as Autarquias melhoraram, à nossa custa, mais cedo ou mais tarde…
Ou seja, não é de fechar o investimento, enfim, também de grandes empresas. Mas é necessário que a Câmara e o seu Presidente em particular não se entreguem feitos «passarinhos» nas mãos – nos interesses – dessas grandes empresas. Apoiar…, mas devagar e com muito cuidado…reclamamos nós que se trata do nosso dinheirinho público…
Mania das «modernices» … Quem já esqueceu a «monstruosidade» da tal «ACIBEIRA» (instalada em Lagares da Beira), também esta criada com o nosso dinheiro público e à época alegadamente «modernaça», mas que faliu estrondosamente? Ai, ai, e se ainda pagassem essas «modernices» com o dinheiro do próprio bolso…
Sim, Câmara Municipal e Autarcas que se concentrem muito mais nos apoios a definir para acesso dos micro, pequenos e médios empresários do Concelho (agricultores incluídos) e das centenas de Trabalhadores que estes (já) ocupam e dos mais que podem vir a ocupar!
Autor: Carlos Martelo
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