Extrovertida, fala com paixão sobre Oliveira do Hospital e S. Paio de Gramaços, a terra do seu pai, onde passou muitos dos seus momentos da juventude, e fundamentalmente sobre música. Foi algo que, assegura, a ajudou nos momentos mais complicados da vida. Sónia Lopes, é esse o seu nome, começou por cantar num trio, passou por um grupo de baile, até terminar no hospital com uma doença preocupante. Recuperou. Veio o Covid, do qual sofreu os sintomas mais graves. E foi nos tempos que passou confinada que ganhou coragem para gravar uma música juntamente com o filho, Martin. A gravação aconteceu em Junho de 2021 e correu tão bem que os produtores incentivaram-na a lançar outras canções. Recusou. Mas em Setembro acabou por aceitar. Sónia Lopes dava lugar a Jade, uma artista com presença quase constante nos programas de fim-de-semana de televisão. O seu regresso como artista a Oliveira do Hospital foi precisamente para actuar num programa televisivo: Somos Portugal, da TVI.
“Eu gostava que tivesse sido de outra forma. Mas não foi possível, até porque o trabalho que estou a desenvolver é divulgar a Jade”, conta Sónia Lopes, assegurando que a carreira artística nestes moldes era algo que não lhe passava pela cabeça e a levou a recusar por várias vezes convites de editoras. “Nunca pensei andar em grupos de baile e muito menos de me lançar a solo. Diziam-me que tinha tudo para dar certo. Mas fui recusando, explicando que a gravação que realizei com o meu filho foi uma mera recordação. Mas insistiram até que que um certo dia aceitei, mas com as minhas condições”, revela. Entre as suas exigências estava o facto de ser ela a escrever as próprias letras, fazer as próprias roupas e de criar o seu nome artístico. “Queria ser dona de mim própria. Faz agora um ano que surgiu a Jade. Já tenho oito músicas lançadas e brevemente tenho surpresas”, conta, notando que todo este tempo tem sido preparado para divulgar a artista Jade de forma a realizar um bom Verão de 2023.
Mas é com muita “pena” que não vai levar o seu espectáculo, “muito baseado na dança”, a São Paio de Gramaços. “Convidaram a Rebeca”, lamenta, justificando que se calhar não foi convidada por não ser ainda verdadeiramente conhecida. “As pessoas ficaram surpreendidas quando me viram actuar no Somos Portugal”, conta, avisando que as suas oito músicas que já lançou estão a ocupar o seu espaço e que para uma artista que tem apenas um ano de existência as coisas até estão a andar bastante rápido. “A estreia da Jade foi precisamente há um ano, dia 1 de Abril, nas redes sociais e nos dois dias seguintes participei em programas de televisão”, explica, recordando que a estreia ao vivo “foi nas festas de Coimbra, a 4 de Julho, na Feira Popular”.
“Foi tudo muito rápido”, esclarece, salientando que a fama não a influência e que continua com a mesma vontade de actuar em aldeias e de estar junto das pessoas, embora reconheça que dada a “dimensão que a Jade está a atingir isso se torne mais complicado”. “Mas, confesso, é onde me sinto mesmo bem”, conta Sónia que partilha a música com a profissão de assistente social, com especialização na vertente de psicologia. “Trabalho apenas com grupos de risco, desde toxicodependentes, prostitutas, bipolares, Formação em serviço social com vertente em psicologia”, conta, explicando que, apesar de ter nascido e de viver em Coimbra, as grandes influências são de São Paio de Gramaços. “Os meus pais são pessoas humildes. Não tínhamos dinheiro para viagens. O tempo livre era passado por São Paio ou na aldeia da minha mãe que era de Viseu. Mostravam-me as tradições populares, frequentávamos os bailaricos e havia a reunião familiar, porque tinha muitos familiares que estavam emigrados. Foi esta a minha infância e estes os locais onde adquiri os valores que orientam a minha vida”, explica.
Mas antes da Jade, Sónia Lopes já actuava, cantava em grupos de baile. Em 2016 chamou a atenção das editoras que a convidaram para se lançar a solo. Recusou, como viria a recusar o mesmo convite no ano seguinte. “Em Setembro de 2018 tive de abandonar a música e a minha profissão por uma questão de saúde. Foi nessa altura que notei o quanto a música me fazia falta. Não tinha noção do carinho que as pessoas tinham por mim, na zona de Arganil, Tábua ou Poiares. As pessoas perguntavam por mim e foi preciso explicar-lhes que estava doente e tinha de ser tratada”, conta.
O regresso aconteceu de uma forma insólita. Um trio perdeu a vocalista na quinta-feira e tinha um baile no sábado. “Contactaram-me e, por acaso, até estava no hospital e perguntei à minha médica se podia. Disse-me que sim, mas com os devidos cuidados, porque o meu sistema imunitário estava em baixo. Isto em Julho de 2019. Fiz três bailes nesse fim-de-semana e 28 em Agosto. Veio a COVID e parámos todos”, conta.
Em 2021, em pleno pico da COVID-19, o filho Martim levou “o vírus na mochila, pouco antes das escolas fecharem”. “Ficamos os dois infectados e confinados. Ele, nove 9 anos, não teve sintomas, mas eu estive muito mal. Tive de ir duas vezes ao hospital. Fazia ventilação em casa porque, dado o meu historial clínico, no hospital estava mais exposta a bactérias”, sublinha. Recuperou. Procurou estúdios de gravação para cumprir a promessa que fizera ao filho e em Junho de 2021 realizaram o sonho de gravar juntos. Começava a nascer a Jade, um nome que também se deve a Martim que sempre gostou de oferecer pedras à mãe. “Por isso, tratei de escolher uma e escolhi a Jade que, entre outras coisas, é uma pedra da sorte, de cura e no oriente é considerada sagrada”, explica Sónia Lopes. Ou Jade.
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