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O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM) assinalou 100 meses sobre os incêndios de Outubro de 2017 com críticas à atribuição de apoios e com dúvidas sobre o destino dos milhões de euros anunciados para a reconstrução. Em comunicado, a associação afirma que, quase nove anos depois, os lesados continuam a enfrentar os mesmos problemas de há 99 meses e sustenta que, apesar de terem sido gastos milhões de euros desde 2017, alguns afectados foram esquecidos.
No sector agrícola, o MAAVIM refere que milhares de lesados não receberam os apoios solicitados através de mecanismos simplificados, apontando erros burocráticos como justificação. Segundo a associação, há ainda casos de beneficiários que foram chamados a devolver verbas anteriormente atribuídas.
Na área florestal, o movimento afirma que não foi aplicado qualquer apoio directo aos lesados dos incêndios, apesar de terem sido anunciadas verbas para esse fim.
Relativamente às habitações, o MAAVIM sustenta que centenas de pessoas ficaram sem a sua primeira casa e critica a utilização de fundos públicos em contratações de habitações que não chegaram a ser construídas ou que não correspondiam a primeira habitação. A associação questiona também a explicação de que não existiam empresas suficientes para executar as obras, alegando que foram adjudicados trabalhos a empresas sem experiência na construção de habitação.
No sector industrial, o movimento aponta cortes de milhares de euros nos apoios a empresários com prejuízos e denuncia situações em que terão sido atribuídos financiamentos para infra-estruturas e equipamentos que, segundo afirma, não existiam.
Perante as actuais situações de calamidade, a associação defende que é necessária uma resposta efectiva e que a experiência do passado deve servir de aprendizagem. Sublinha, contudo, que não podem ser esquecidos os que perderam bens em catástrofes anteriores, como os incêndios de Outubro de 2017 ou os de 2025.
No comunicado, o Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões questiona o paradeiro das verbas anunciadas para a reconstrução, referindo que, de acordo com relatórios públicos, não é claro o que foi feito com os montantes disponibilizados.
A associação considera ainda que os lesados não podem ser tratados como “portugueses de segunda” e exige o cumprimento das promessas feitas aos que continuam a viver nos territórios afectados, afirmando que se sentem abandonados.
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