MAAVIM vai pedir reunião à nova direcção da CCDR Centro para rever apoios aos lesados dos incêndios de 2017

O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas do Incêndio de Midões (MAAVIM) anunciou que vai solicitar uma audiência à nova direcção da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, liderada pelo presidente Ribau Esteves, com o objectivo de reavaliar processos de apoio que considera injustamente decididos após os incêndios de Outubro de 2017.

Num comunicado assinado pelo dirigente Nuno Pereira, a associação sublinha que, passados 99 meses sobre os incêndios, se mantêm os mesmos problemas identificados desde 2017, apesar de terem sido gastos milhões de euros. De acordo com o MAAVIM, uma parte significativa dessas verbas não teve reflexo no terreno, com territórios que continuam por limpar e medidas que permanecem sem aplicação prática.

Na área da agricultura, o movimento refere que milhares de lesados nunca receberam os apoios simplificados a que se candidataram, alegadamente por erros burocráticos, havendo casos em que beneficiários foram recentemente obrigados a devolver verbas já recebidas. Na floresta, garante que não foi aplicado “um euro” em apoios directos aos lesados dos incêndios, apesar de existirem verbas disponíveis.

O comunicado aponta ainda falhas graves no apoio à habitação, afirmando que centenas de pessoas ficaram sem a sua primeira habitação, enquanto o dinheiro foi utilizado em contratações de casas que nunca chegaram a ser construídas ou que não correspondiam a habitações permanentes. O MAAVIM critica também a adjudicação de obras a empresas sem experiência na construção de habitação, após alegações de falta de empresas com alvará.

Na indústria, o movimento denuncia cortes significativos nos apoios atribuídos a empresas com prejuízos, contrastando com situações em que foram concedidos financiamentos para infra-estruturas e equipamentos que, segundo a associação, “não existiam”.

Com a entrada em funções da nova direcção da CCDR Centro, o MAAVIM considera que se abre uma oportunidade para “rever todos os casos que não foram justamente aprovados” e exige esclarecimentos sobre a aplicação dos fundos públicos. “Queremos saber onde está o dinheiro”, lê-se no comunicado, que sustenta que os relatórios existentes não permitem perceber o destino das verbas mobilizadas.

O movimento conclui reafirmando que os lesados dos incêndios não aceitam um tratamento desigual. “Não somos portugueses de 2.ª, somos todos iguais e todos devemos ter o mesmo tratamento”, afirma.

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