“O Google Maps é uma das formas mais eficazes de divulgar um território”
Não dispensam um telemóvel com uma boa câmara fotográfica. Outros optam mesmo por material de fotografia mais sofisticado. Vão recolhendo imagens de tudo aquilo que consideram interessante. Muitas vezes para espanto de quem assiste à ginástica e atrevimento daqueles que procuram obter a melhor foto nos locais mais insólitos. O resultado desse labor é carregado, juntamente com a informação disponível, numa plataforma da tecnológica Google Maps, uma ferramenta utilizada em viagem por milhões de pessoas em todo o mundo. São conhecidos como os Guias Locais Google. Em Oliveira do Hospital há pelo menos três. É o caso do empresário Nuno Tavares Pereira que, no final no primeiro dia do mês de Março, atingiu dez milhões de visualizações das suas fotos. O último impulso foi dado pelas imagens dos Passadiços do Mondego que recolheu recentemente e que em 24 horas superaram as mil observações.
“Estas pessoas são agora potencias visitantes daquele espaço. Quem vê estas fotos são fundamentalmente aqueles que procuram pontos de interesse na região”, explica Nuno Tavares Pereira, que não dispensa o telemóvel, máquina fotográfica e mesmo um drone para recolher as melhores imagens a partir do ar. “Isto é uma paixão e fazemos uma promoção que ainda não é reconhecida”, conta, salientando que a sua foto com mais visualizações no Google Maps superou as 200 mil. De um restaurante de Tábua. “Esta acção é importante para os pequenos negócios que ficam visíveis em todo o mundo”, sublinha o empresário que já se dedica a este passatempo há alguns anos.

O engenheiro informático oliveirense Carlos Gouveia partilha da mesma opinião e do prazer pela fotografia. Também ele vai alimentando a plataforma há cerca de quatro ou cinco anos. “Faço isto, acima de tudo para divulgar locais aqui à volta e também o meu trabalho fotográfico. O impacto é enorme porque o Google Maps tem milhões de utilizadores. Quem anda a procura de locais para visitar dificilmente dispensa esta ferramenta. E aquilo que colocamos pode levar um turista a escolher determinado restaurante, alojamento ou visitar ou não um concelho ou uma região. É que além da foto também nos é permitido colocar informações e opinião”, conta.
Gouveia, que tem mais de 1,2 milhões de visualizações das suas fotos, salienta que ele próprio utiliza a aplicação como cliente. “Quando fui a Escócia estava numa cidade e não sabia onde ir. O que visitar. Fui ao Google Maps e descobri vários locais espectaculares que nunca teria conseguido visitar se não esta aplicação”, diz Gouveia, ele que já investiu cerca de seis mil euros em material fotográfico.
Se Carlos Gouveia é extremamente criterioso com as fotos que publica (“apenas as melhores, aquelas que considero com mais qualidade”), já Nuno Tavares Pereira dá mais valor ao local. “O meu grande objectivo é dar a conhecer espaços com interesse, em particular aqui na região. Claro que procuro a melhor foto, mas nem sempre temos aquilo que pretendemos e acabo por colocar a melhor imagem ou vídeo que tenha”, explica, mostrando a mala do seu jeep onde se encontra o mais variado material fotográfico. “Somos inseparáveis”, conta, referindo um caso que demonstra a capacidade de divulgação da plataforma. Nuno explica que fotografou uma pizza num restaurante e colocou-a no Google Maps com o nome da filha. “Não é que depois apareceram pessoas a pedir a pizza com o nome da minha filha”, refere.
O gestor comercial Luís Moreira, também de Oliveira do Hospital, apostou na divulgação da gastronomia local e das paisagens exuberantes da Serra da Estrela e arredores. “As pessoas não fazem ideia do impacto que isto tem. Há um restaurante que pouca clientela tinha, mas um post de uma boa foto levou a que esse espaço na Serra da Estrela aumentasse substancialmente a sua clientela”, conta. Este gestor em Oliveira do Hospital também acabou por criar um caso insólito quando lhe deu para publicar fotos num local exótico, descrevendo-o como de Ribeira de Cavalos que existe de facto, mas que não passa de um riacho de água.
“A verdade é que apareceram pessoas que queriam visitar o local. Obviamente que depois foi retirado do Google Maps”, explica Luís Moreira que fez um trabalho sobre os restaurantes do concelho de Oliveira do Hospital. “Foi promoção gratuita. Mas começo a ficar saturado porque muitos não percebem, nem reconhecem esse trabalho. É o chamado labor invisível que vale muito, mas sem o devido reconhecimento, pelo menos para já.”, conclui. Mas, por enquanto, vai continuando a dar a conhecer o que Oliveira do Hospital tem de melhor em termos de gastronomia e paisagem. “No futuro vamos a ver, isto também é uma paixão”, concluiu.
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