Hoje, 8 de Março, assinala-se o “Dia Internacional da Mulher”.
A pretexto, oportunidade para múltiplos acontecimentos, para milhentas evocações, diz-se, em homenagem à Mulher. E a todas mais do que a cada uma delas. Sabemos que há “todas” as Mulheres e nem de longe sabemos de cada uma. Assim é e assim vai ser.
Cabe lembrar, ainda que “chato”, o acto da criação Bíblica da Mulher em que, logo aí, as “coisas” não começaram nada bem para a Mulher-Eva. Saiu de uma costela do Homem-Adão, ofereceu-se-lhe, a seguir, sob a forma (simbólica) de uma maçã manipulada (ideologicamente) por uma serpente e daí foi Eva-Mulher proscrita do “Paraíso” pelo facto de prognosticar o acto da consumação do Amor entre dois seres afinal humanos ou no mínimo humanizados.
“E não há nada mais belo que dois corpos no movimento do amor” – disse alguém com quem concordo. E direi eu que ainda mais belo que dois corpos no movimento do amor “só” três ou mais corpos nessa situação, mas desde que não haja “violência no desporto” … Porém, outros entendimentos elevados à categoria de divinos não o subscrevem assim e antes pelo contrário. Quanto sofrimento e quanta tragédia já não causou essa violência ancestral? Violência em que o dogma pretende (sem o conseguir, todavia) aprisionar o impulso maior que atrai Homens e Mulheres para se fundirem um na outra ou outra no um como aliás continua a ser (e de longe) o mais frequente a acontecer nas civilizações? Eu cá digo, convicto, que “ainda ninguém arranjou nada melhor que ´isso´”! Portanto…
Mulheres, essas heroínas anónimas e injustiçadas!
Normalmente nós temos uma mulher (sou homem) e também temos “a Mulher entre as mulheres”, normalmente nossa Mãe. “Mãe só há uma”, também se continua a dizer apesar de hoje as coisas já poderem não ser bem assim com “avós” biológicas a também serem “mães de criação” e logo desde dentro da barriga, desde os primeiros dias do embrião “importado” a partir de uma filha e que acolheram no útero avoengo (em substituição do materno). Causa alguma perplexidade…
Historicamente, “sobraram” várias Mulheres famosas – quase sempre personalidades importantes nas respectivas épocas. Quem nunca ouviu falar na “Cleópatra” dos Egípcios, dos Gregos e dos Romanos também (aliás, destes literalmente…se nos lembrarmos de Júlio César e de Marco António imperadores “exportados” por Roma para os braços dela…). E da czarina Catarina II, a “Grande”, da Rússia, que para além de outros atributos notáveis terá sido um “vulcão sexual” quase uma esclavagista de parceiros sexuais e que com tal projecção se perpetuou também?
E mesmo de Maria Madalena, afinal a personagem Bíblica mais importante logo a seguir a Cristo pois terá sido ela o(a) primeiro(a) apóstolo(a) a quem Cristo-Homem-Deus se mostrou ressuscitado e lhe pediu para O anunciar como ressuscitado aos outros Apóstolos – esta a mais poderosa mensagem em toda a Bíblia.
E, nos últimos anos, mesmo a “Eva Africana” (ou “Eva mitocondrial”) remetida, através da “pegada” de DNA presente na via materna, para um passado inicial como mãe comum, já com 200 mil anos
E outras Mulheres ficaram famosas. Pessoalmente gosto muito de Marilyn Monroe também porque foi uma excelente atriz (em geral muito injustiçada nesse contexto artístico) e foi atirada para uma morte estranha e demasiado precoce. “Anjo” nunca ela o foi. Mas foi mais inspiradora para milhões de homens que todos os anjos que há no céu e arredores! Nesses homens me incluo eu sem reservas e só a vi no cinema. Obrigado Marilyn por tudo aquilo que nos fizeste ver…e imaginar!…
Mas a minha homenagem até vai mais para milhões de Mulheres anónimas que viveram, amaram (algumas vezes) e muito sofreram neste mundo tão ingrato para elas. Foram ESSAS as mais anónimas de todas que aguentaram e fizeram prosseguir a vida e o próprio Mundo nos piores dias, nas piores noites, nos piores sofrimentos, com os maiores esforços. Tantas, tantas, tantas, não sobreviveram a tantas vicissitudes, mas carregaram no ventre, às costas e à cabeça, a Humanidade! Obrigado pois que Vos devo esta vida e este Mundo! Não exactamente a minha vida biológica, mas parte fundamental e indelével do meu ser mais amplo, mais humano! Obrigado!
Avós, bisavós e para trás delas. Salvé ! Respeito-Vos ! Amo-Vos !
Para nossas Mulheres ancestrais mais próximas embora distantes de algumas gerações, muito daquilo que em cima disse, poderia aqui repeti-lo. Mas vou “apenas” evocar alguns trechos das Vidas que elas viveram com dificuldades de todos os tipos e às quais muitas vezes nem sobreviveram. Remeto-me para “pequenas” estórias que foram reais e imensas nessas vidas, dia a dia.
Sim, que nossas Avós, e das gerações atrás, só comiam uma canja de galinha quando pariam e enquanto seus homens e filhos mais velhos comiam a carne das galinhas dessa canja. Contava minha Avó paterna que a sua mãe (minha bisavó) cortava uma sardinha assada em três partes para haver um bocado de sardinha para todos os que estavam à mesa (quando havia mesa…). Como é sabido, as mulheres dessas épocas, no mínimo, tinham seis filhotes ainda a cuidados maternos. Depois, minha bisavó passava a faca com que cortara a sardinha por um bocado de pão de broa (milho áspero) para poder aproveitar a gordura (e o sabor-cheiro a sardinha) que ficava na faca após os cortes. E era esse o seu “quinhão” na sardinha!
Uma Mulher de minha Aldeia, conhecia-a bem, teve muitos filhos, ao todo 19 creio eu. Ouvi contar que, de uma vez, foi ela para um tanque – grande recipiente para armazenar água, daqueles tradicionais que havia feitos em pedra – para lavar a roupa da família. E com uma gamela (utensílio não pequeno, bem côncavo, em madeira) cheia de roupa suja à cabeça, levou um filhito ao colo, outro a andar mas ainda a segurar-se-lhe às saias e outro na barriga e “em fim do tempo” de gravidez. Enquanto lavava a roupa na pedra do tanque, ocorreu ali mesmo o parto do filhito e foi ela a sua própria parteira pois que remédio… Regressou a seguir a casa. Com o filhito recém nascido ao colo, encostado ao peito, outro a andar mas ainda a segurar-se-lhe às saias e um terceiro filhote dentro da gamela, à cabeça, onde também tinha a roupa quase lavada! Um prodígio!
E essas Avós e Bisavós de (quase) todos nós, eram como as giestas verdes – Salvé, Mestre Aquilino! – “vergavam, mas não partiam”. Perante as mentalidades vigentes, era-lhes proibido manifestarem prazer, se por acaso tal sentissem com o “seu homem”, na cama… Aliás estes tapavam-lhes a boca, à bruta, para elas não fazerem barulho quando as violavam ou lhes batiam…para não se ouvir na rua tais violências…
Hoje, há melhorias mas a violência doméstica continua a grassar e a causar enorme sofrimento a milhares de Mulheres. Até quando?
Para Ti, uma Flor branca e rubra,
Mulher minha, gentil, que sempre sejas, a meu lado!
No dia 8 de Março – o “Dia Internacional da Mulher” – eis as mensagens de esperança firme com que Vos deixo desta vez.
- Melhores condições de trabalho e de vida!
- PAZ entre as Mulheres e os Homens de todos os credos e vontades!
Sim, Mulheres e Homens de todos os credos e vontades, havemos – JUNTOS – de conquistar uma Vida melhor num Mundo de PAZ e maior Felicidade!
Viva o “Dia Internacional da Mulher”! Viva as Mulheres de todo o Mundo !
Guerra não! PAZ sim!
João Dinis, Jano
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