Flexibilidade?
Sim, é uma capacidade motora que interfere na performance, saúde e prevenção de lesões.
O “comum mortal” concentra os seus esforços no treino da força e da resistência, abdicando do treino da flexibilidade, treino este de extrema importância no desenvolvimento da força, da resistência e da velocidade.
Importa, assim, referir os tipos de treino da flexibilidade e a metodologia a si associada.
FLEXIBILIDADE ATIVA
Neste tipo de treino a pessoa realiza os seus movimentos de forma independente sem a ajuda de pessoas ou equipamentos.
Os estudos mais recentes sobre os efeitos do treino desta capacidade referem que a duração óptima para a flexibilidade ativa é de entre 20 a 45 segundos para cada exercício, repetidos 4 ou 5 vezes.
FLEXIBILIDADE PASSIVA
Este tipo de treino implica a utilização de equipamentos ou de ajuda externa. Estes exercícios normalmente são mais eficazes porque, com ajuda, o praticante pode atingir alongamentos superiores aos que obteria se realizasse o trabalho sem qualquer suporte externo.
Nos exercícios de flexibilidade passiva as articulações deverão estar estabilizadas de forma a prevenir movimentos incorrectos (movimentos parasitas). Depois de estabilizada a articulação, o membro deverá ser levado até à sua máxima amplitude e mantido nessa posição durante 15 a 45 segundos. O indivíduo deverá respirar normalmente evitando o bloqueio respiratório.
PRINCÍPIOS DESTE TIPO DE TREINO
- O trabalho de flexibilidade pressupõe uma sensação de tensão que não deverá ser confundida com dor. Dor é o limite funcional ao alongamento;
- No treino da flexibilidade, a estabilidade da articulação é um aspecto essencial, não só para prevenir lesões como para obter o máximo efeito;
- A colocação dos segmentos corporais deverá ser tal que permita o máximo alongamento na área pretendida;
- Quando se pretende alongar músculo que percorre duas ou mais articulações, o praticante terá de assumir uma posição que lhe permita obter a maior extensibilidade possível da estrutura a alongar. Por exemplo, na flexibilidade do quadricípite devemos promover a extensão da anca com o joelho fletido de forma a alongar completamente a estrutura do reto femoral daquele grupo muscular;
- Quer na flexibilidade ativa como na passiva, o músculo em alongamento deverá estar completamente relaxado;
- Se o alongamento passivo for demasiado intenso pode provocar uma resposta flexa de contracção que limita a flexibilização;
- Depois de atingir a posição de máximo alongamento, o retorno à posição habitual deverá ser feito lentamente;
- Qualquer programa de treino da flexibilidade deve começar integrando exercícios de intensidades e dificuldades progressivas;
- Os exercícios de alongamento deverão começar de forma muito lenta, evitando movimentos de balanço nas fases iniciais; os exercícios de maior exigência deverão efetuar-se com a ajuda de alguém;
- A duração mínima de cada exercício deve ser de 15 segundos, ainda que a sensação individual de cada praticante deva ser tida em conta;
- As primeiras 3 ou 4 repetições são normalmente as mais efetivas;
- O praticante deve perceber que os progressos são lentos, mas consistentes desde que o trabalho tenha continuidade.
A frequência do treino da flexibilidade deverá ser 4 a 7 vezes/semana na fase inicial para aumento rápido da flexibilidade, 3 vezes/semana na fase de manutenção, e a intensidade deverá ser avaliada pela sensação de início do desconforto, sendo a dor o limite da execução.
Bibliografia: José Soares, Professor Catedrático de Fisiologia da Universidade do Porto, in Revista J, Nº 490, 24 de Janeiro de 2016
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc

