Com as eleições, os políticos perdem a vergonha e repetem as promessas de sempre. Veja-se a cabeça de lista do PS pelo círculo eleitoral de Coimbra que não tem problemas em fazer mais uma promessa para esta região das beiras desertificada e quase sem nada, depois de não ter concretizado as promessas que fez nas eleições anteriores. Ana Abrunhosa repete esses compromissos e acrescenta-lhe a construção do IC6, IC7 e até o IC37 volta a ser tema de conversa. Em minha opinião, tudo isto não passa daquilo que de mais triste existe na política: mentir ao povo.
E há perguntas que têm de ser feitas a esta senhora candidata. Por exemplo, como está a redução e mesmo eliminação das portagens das ex-scuts do interior? Será que estou enganado ou quando passo nas portagens não vejo os valores existentes em cada pórtico? Será que, por entender que era justíssima a sua abolição para um país mais equilibrado, eu não reparava nos valores, pensando que aquelas vias já eram gratuitas? Mas quando vejo as contas bancárias no final do mês lá está a triste realidade e o respectivo débito. Senhora candidata é isto a coesão territorial prometida? Veja o que se passa nesta região com a saúde, a justiça, a educação, a agricultura e a floresta. Tudo demasiado negro.
Nem a capital do distrito de Coimbra escapou à voracidade centralista, apoiada, infelizmente, por muitos políticos naturais do interior do país. Perdeu, entre outros, os serviços regionais da economia, do turismo e da agricultura, assim, como tudo indica, irá perder o Tribunal Central Administrativo e Fiscal de Coimbra. Será que isto é a coesão prometida? Retirar serviços de uma região que tem perdido dezenas de milhares de eleitores (como indicam os censos)? Não seria mais avisado transferir serviços de Lisboa para cidades, entre outras, como Castelo Branco, Guarda, Viseu, Leiria, Vila Real ou Aveiro, em vez de desviar serviços que já estavam consolidados há dezenas de anos em Coimbra? Parece-me, para quem tiver honestidade intelectual, que a resposta é óbvia.
Depois existe um rol de promessas feitas e por cumprir. Convém recordar o estado em que se encontra o IP3, os acessos à A13, de Ceira a Souselas, assim como a reparação da EN342, a ligação de Soure à A1, o Porto da Figueira da Foz, entre outras valências que se perderam. A cabeça de lista do PS por Coimbra, não nos podemos esquecer, esteve ainda em destaque pela negativa na forma como conduziu os apoios a milhares de lesados dos incêndios de Outubro de 2017, enquanto presidente da CCDR Centro. Neste caso, existem mesmo alguns processos que brevemente irão ser julgados pelos tribunais.
Depois de tudo isto, regressar ainda com mais promessas, julgo que se o povo acreditar nas mesmas é porque têm memória curta.
Na caça ao voto parece valer quase tudo. Mesmo que isso custe muitos milhares de euros aos bolsos dos pobres contribuintes. Será inocente a adjudicação, por mais 900 mil euros, de mais um projecto de execução do IC6 nesta data? Não me parece. Provavelmente, e espero estar enganado, será mais um documento para ficar, como tantos outros, esquecido no fundo de uma gaveta. Não servirá para se avançar com o concurso de execução da obra. Será apenas mais um projecto. Estou convencido, de resto, que aquilo que se tem gasto em estudos e projectos para estas vias seria suficiente para construir o IC6 até Seia e o IC7 de Seia até Celorico da Beira.
Tudo isto é lamentável. Porém, mantém o povo sereno, calmo e coloca-o, mais uma vez, a bater palmas à desertificação. Basta de brincadeiras de mau gosto. Já perdi a conta aos ministros, secretários de Estado e presidentes de Câmara que muito têm prometido e raramente têm cumprido.
O povo desta região precisa de pegar numa vassoura avantajada e de encontrar um avião com muito combustível. A primeira para varrer todas as falsas promessas que nos têm sido feitas durante dezenas de anos, bem como com os seus autores. O segundo para levar os falsos “profetas” e as suas falsas “profecias” para bem longe. Com esta limpeza, pode ser que daqui a uns anos alguém venha para prometer e cumprir como é seu dever e obrigação. Afinal, estes territórios de baixa densidade merecem tanto como o restante território nacional.
Autor: Fernando Tavares Pereira
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