Aldeia de Seia junta moradores dos 20 aos 90 anos para proteger linhas de água

A aldeia de Balocas, na União das Freguesias de Vide e Cabeça, concelho de Seia, juntou várias gerações numa jornada de voluntariado para preparar as suas linhas de água da localidade para o Inverno. Promovida pela União Progressiva da Povoação de Balocas (UPPB), a iniciativa decorreu entre 3 e 5 de Outubro e mobilizou moradores com idades entre os 20 e os 90 anos. Os voluntários intervieram em três pontos do sistema hídrico da aldeia: a ribeira de Balocas, na zona conhecida como “Porto”, o valado dos “Balbacelos” e o sistema de regadio do “Balfrago”, removendo terras, pedras e outros materiais que dificultavam o escoamento da água.

Na zona do “Porto”, os voluntários desentupiram as saídas do pontão, onde se acumulavam terra e pedras que dificultavam o escoamento. A intervenção incluiu ainda a remoção de uma antiga e pesada estrutura metálica parcialmente soterrada, num trabalho que exigiu o esforço conjunto de vários participantes. O objectivo foi garantir a passagem da água e preservar a ligação entre as duas margens e os acessos ao “Outeiro das Fontes” e à “Falgarosa”.

Nos “Balbacelos”, os trabalhos incidiram num antigo sistema de transvase entre barrocos, utilizado ao longo do tempo para desviar a água e permitir o cultivo de terrenos através da construção de socalcos. A obstrução do valado já tinha contribuído para a derrocada de muros junto ao ramal de acesso a Balocas, aumentando o risco de novos danos com a chegada das chuvas.

A intervenção permitiu retirar os materiais que impediam o normal escoamento da água e recuperar a capacidade do valado para receber e encaminhar a água da chuva.

No sistema de regadio do “Balfrago”, a limpeza procurou devolver a água ao seu percurso. Os entupimentos estavam a provocar a dispersão da água pelos socalcos, contribuindo para o seu encharcamento e para o enfraquecimento das estruturas.

A intervenção, segundo a organização, assume particular importância num território atingido pelo incêndio de Agosto de 2025. Com o solo fragilizado pelo fogo, os responsáveis pela iniciativa referem que a chuva pode aumentar a erosão e o arrastamento de terras, pedras e outros detritos, tornando mais vulneráveis as linhas de água e as estruturas existentes.

“Todo o trabalho foi assegurado pela própria comunidade. Setenta anos separavam o participante mais novo, de 20 anos, do mais velho, de 90, mas ambos participaram na mesma jornada de preparação da aldeia para o Inverno”, explica a UPPB, sublinhando que a mobilização demonstra a importância da comunidade na recuperação do território, através do conhecimento dos lugares, da identificação dos problemas e da intervenção conjunta.

 

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