Apresentação dos candidatos à Junta de Freguesia reuniu cerca de uma centena de populares e ficou marcada pelo pedido de ‘perdão’ de António Lopes por ter contribuído para a chegada do PS ao poder.
A CDU apresentou no dia 14 de Setembro os seus candidatos, liderados por João Dinis, à “renascida” junta da freguesia de Vila Franca da Beira, numa sessão que reuniu cerca de uma centena de habitantes no Largo da Capela e terminou com uma sardinhada convívio. O antigo presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, António Lopes, também esteve presente não só para dar um abraço a João Dinis, mas também para “pedir perdão” à população por, no passado, ter ajudado a colocar o PS no poder.
Perante vários jovens e estrangeiros, que manifestavam satisfação por poderem conviver com as gentes locais independentemente do contexto político, João Dinis começou por destacar a luta pela autonomia de Vila Franca da Beira e a importância de devolver à freguesia o seu estatuto independente que será restabelecido a 12 de Outubro, dia das eleições autárquicas, com a desagregação da União de Freguesias com Ervedal da Beira. “Nestes últimos anos, Vila Franca perdeu muito investimento, porque dividir por quatro é mais difícil do que dividir só por uma freguesia. Esta luta nunca parou e vamos continuar a construir o futuro da nossa terra”, afirmou o líder de uma candidatura que tem por lema Com o Projecto CDU – O Futuro recomeça agora – Em Vila Franca da Beira! que conta com vários jovens.
O candidato centrou a sua intervenção no destino do edifício da antiga escola primária, que este ano celebra 90 anos e que a câmara pretende converter em habitação. João Dinis rejeita essa solução. Propõe, em alternativa, que a escola se transforme num projecto público, com centro de celebração do pastoreio e do queijo da serra, preservando também a memória da tecelagem local. “Podem existir casas devolutas na freguesia, em avançado estado de degradação, que podem ser compradas e transformadas em habitação. A escola merece um uso público, aberto a todos”, afirmou, levando uma habitante que ouvia o discurso a levantar-se e a dizer a João Dinis que doava o seu tear para o projecto que viesse a ser implementado no edifício da escola, construído em 1926, com a participação de Manuel Monteiro, único vereador de Vila Franca da Beira na Câmara Municipal à época.
Antigo presidente da Junta durante 12 anos, entre 2001 e 2013, Dinis apresentou algumas das medidas que pretende implementar se for eleito. Pretende resolver problemas de estacionamento, melhorar o cuidado com ruas, caminhos agrícolas e florestais e garantir mais atenção ao dia-a-dia da população.
João Dinis defendeu ainda a cooperação com freguesias vizinhas, como Seixo e Ervedal da Beira, para desenvolver projectos conjuntos, e considerou essencial dinamizar o Pólo Industrial da Cordinha com a instalação de uma central solar para atrair empresas e fixar jovens na terra. Criticou também a câmara por arrancar apenas agora obras prometidas há anos, como a recuperação da ETAR ou a construção de passeios. “Se calhar deveria haver eleições uma vez por ano”, atirou.
O momento mais inesperado da sessão foi protagonizado por António Lopes, ex-presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital e actual candidato da CDU à Junta de Freguesia de Unhais da Serra, no concelho da Covilhã. Lopes afirmou que estava ali não só para dar um abraço a João Dinis, mas também para pedir perdão à população por, no passado, ter ajudado a colocar o PS no poder, um partido que, no seu entender, rapidamente se esqueceu do projecto da candidatura para passar a tratar da vida dos seus apoiantes. Algo que, em sua opinião, contrasta com a maneira de ser de João Dinis.
“É diferente. Ele sempre esteve do lado da população e provou, ao longo dos anos, que é sério e comprometido com Vila Franca da Beira. Foi também ele quem mais lutou para que Vila Franca voltasse a ser freguesia. Só por isso merece ser presidente da Junta”, sublinhou.
Lopes explicou ainda que aceitou, em 2009, candidatar-se como independente pelo PS por acreditar que poderia influenciar positivamente a governação, mas afastou-se quando percebeu que, no segundo mandato, com a maioria absoluta, a lógica passou a ser “a vez dos nossos”. Recordou mesmo que, ao chegar à câmara após as eleições, encontrou “uma molhada de gente que tinha andado com as bandeiras atrás” durante a campanha e que, para sua surpresa, foi logo colocada a trabalhar no município. “Não era esse o meu projecto, nem o meu objectivo, por isso afastei-me”, afirmou.
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