Seia recebe de 9 a 17 de Outubro a 32.ª edição do CineEco, Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, com 87 filmes de 34 países. Entre as obras seleccionadas estão dez longas-metragens em estreia absoluta em Portugal e uma Competição Panorama Regional dedicada a filmes com narrativas centradas no território e na Serra da Estrela, enquanto uma sessão especial levará ao festival “Lições de Fogo”, documentário finlandês de John Webster sobre os incêndios em Portugal, filmado em Castelo Branco e na aldeia do Sabugueiro, em Seia.
A ligação à região está também presente na própria competição regional, que reúne “Maços e Martelos”, de Tiago Cerveira, “O Avesso do Mundo”, de Rita Palma, “O Próximo Princípio”, de Pedro Nogueira, e “O Anjo da Guarda”, de Eduardo Pires. É uma das diferentes frentes da programação de um festival que recebeu este ano 410 candidaturas, entre filmes de ficção e documentários produzidos para cinema ou televisão, nacionais e internacionais, e obras de arte visuais realizadas em formato digital, vídeo ou película, com temática ambiental.
Dos 106 filmes que integram a programação, 86 obras de 34 países estão nas seis principais competições e, no conjunto do festival, participam 144 realizadores. Na Selecção Internacional de Longas-Metragens, os dez filmes em estreia absoluta em Portugal incluem obras exibidas ou premiadas em Cannes, Roterdão, Visions du Réel, Sundance, CPH e Thessaloniki.
É nesta selecção que se encontram “On the Sea”, de Helen Walsh, uma ficção britânica sobre a tensão entre tradição e natureza numa comunidade piscatória do País de Gales, e “L’Espèce Explosive”, de Sarah Arnold, uma comédia francesa sobre o conflito entre agricultores, caçadores e javalis, distinguida com o Europa Label na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes. As alterações provocadas pela modernidade e pelas mudanças climáticas em comunidades pastoris surgem depois em “Let Our Mountains Live”, de Håvard Bustnes, sobre pastores de renas sami que lutam contra o maior parque eólico da Europa, e em “Iron Winter”, de Kasimir Burgess, que acompanha dois amigos empenhados em proteger 2000 cavalos durante o Inverno do deserto da Mongólia.
A exploração de recursos e os vestígios contemporâneos do poder colonial fazem a ponte para “Kikuyu Land”, de Andrew H. Brown e Bea Wangondu, filmado nas plantações de chá das terras altas do Quénia, e “Materia Prima”, de Jens Schanze, sobre os depósitos de lítio da Bolívia. O impacto das alterações climáticas sobre as populações surge de outra forma em “Black Water”, de Natxo Leuza, sobre a crise dos refugiados no Bangladesh perante a subida do nível das águas do mar, enquanto “Derek vs Derek”, de James Dawson, aborda com recurso à comédia as divisões em torno dos modelos de produção agrícola.
A discussão sobre o futuro do activismo ambiental prossegue em “Plan C for Civilization”, de Ben Kalina, e “The System”, de Joris Postema, que explora os novos desafios políticos, económicos, éticos, tecnológicos e científicos e conta com música de Lee Ranaldo, dos Sonic Youth. Fora da competição, será ainda exibida “A Revolução dos Bichos”, longa-metragem de animação realizada por Andy Serkis a partir da obra “Animal Farm”, de George Orwell.
A programação internacional cruza-se depois com a produção de língua portuguesa, que tem como principal destaque a estreia nacional de “Yellow Cake”, do brasileiro Tiago Melo, produzido por Kléber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, indicados ao Óscar com “O Agente Secreto”. A Selecção Oficial de Longas-Metragens em Língua Portuguesa inclui ainda “Nimuendajú”, de Tania Anaya, e os documentários “Rua do Pescador Nº 6”, de Bárbara Paz, “Água Mãe”, de Hiroatsu Susuki e Rossana Torres, “O Avesso do Mundo”, de Rita Palma, e “Baía dos Tigres”, de Carlos Conceição.
Nas curtas e médias-metragens, a Competição Internacional reúne 31 filmes sobre exploração de recursos, sustentabilidade, territórios naturais ameaçados, acção de povos nativos, gestão de recursos e urbanismo. Entre eles estão “Quietude”, do português Gonçalo Almeida, e “Felicidad”, do espanhol Francesco Mastroleo, duas curtas-metragens produzidas no âmbito de uma residência cinematográfica orientada em 2024, em La Palma, pelo cineasta alemão Werner Herzog.
A diversidade temática desta secção estende-se às alterações climáticas e ao sobreaquecimento global, presentes em “1,5 y Más”, de Miguel Dorado, e “You Told Us to Talk About the Weather”, de Harry Tomlin, aos ecossistemas aquáticos, em “The Herring Queen” e “Komarnica: The Wild That Remains”, e à biodiversidade, abordada em “Love Birds”, “We Are Animals” e “Dawn Chorus”, filme que acompanha o músico e filósofo David Rothenberg na captação de sons de aves para a criação musical.
A paisagem e o território regressam em “Ibrido Urbano”, “Finding the Landscape” e “Last Tropics”, enquanto as culturas indígenas e os activismos locais são temas de “Say It Slowly”, “Remigia’s Lessons” e “Lost Songs of Sundari”. A reflorestação e a relação terapêutica com a flora surgem em “Replanting a Garden” e “Petra y el Sol”, e as migrações associadas a pressões ambientais ou sociais são abordadas em “Risky Routes”, sobre a migração anfíbia na Suíça, e “El Güero”, curta de ficção mexicana sobre um funcionário de uma empresa norte-americana que chega a uma cidade costeira do México para supervisionar a construção do primeiro hotel da região.
A produção em língua portuguesa tem ainda uma competição própria de Curtas e Médias-Metragens, com 14 obras, entre as quais “Os Bravos”, de Catarina Mourão, “Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio”, de Daniel Soares, e “Onde Nascem os Pirilampos”, de Clara Vieira, filmes com percurso internacional, nomeadamente nos festivais de Roterdão e Cannes.
O programa completa-se com a categoria competitiva de Curtas-Metragens de Ficção, Não Ficção e Animação, que pelo segundo ano reúne 25 filmes de 15 países, e com a Competição Panorama Regional, dedicada às narrativas centradas na Serra da Estrela. Fora de competição, “Lições de Fogo”, de John Webster, terá uma sessão especial.
Realizado ininterruptamente em Seia desde 1995, por iniciativa do Município de Seia, o CineEco é apresentado pela organização como um dos mais antigos festivais de cinema ambiental do mundo. A programação inclui, além da vertente competitiva, conferências, concertos, workshops, exposições, mercado de filmes e actividades educativas, com entrada gratuita.
A presença do festival prolonga-se para além dos nove dias de Outubro através de uma rede de extensões que percorre o país ao longo do ano, permitindo a exibição de filmes da programação oficial.
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