A EXPOH, Feira Regional de Oliveira do Hospital, que este ano decorre de 22 a 30 de Julho (uma semana antes que a do ano passado), vai contar além dos já há muito anunciados Xutos e Pontapés com outros músicos de peso do panorama musical nacional. A autarquia, que optou por divulgar o cartaz com sete meses de antecedência, coloca também no palco do Parque do Mandanelho nomes como os Amor Electro e Marco Paulo (que está a comemorar 50 anos de carreira). Além deste trio, estão também confirmados Diogo Piçarra (venceu a quinta edição do concurso televisivo Ídolos) e Dengaz (um rapper português que conseguiu algum êxito com musicas como “Dizer que Não” e “Nada Errado”, “Rainha” e “Tamojuntos). Do cartaz faz parte também o Grupo AF.
O cartaz representa um forte investimento em diversão. Os nomes já confirmados rondam os 130 mil euros, de acordo com últimos preços cobrados pelas bandas nos concertos registados na Base de Contratos Públicos. Só os três nomes principais no seu conjunto podem custar cerca de 103 mil euros. O último espectáculo que aparece naquele portal de Marco Paulo refere que o cantor, em Outubro de 2014, cobrou 10 mil euros ao município de Viana do Castelo. Os Xutos e Pontapés amealharam, em Junho do ano passado, pela sua actuação em Macedo de Cavaleiro, 39 mil euros e o Amor Electro recebeu nesta passagem de ano da Câmara Municipal da Guarda o montante de 35 mil euros. Diogo Piçarra, por seu lado, cobrou em Setembro oito mil euros ao município de Tavira e Dengaz arrecadou 14 mil nesta passagem de ano em Tavira. A estes valores acresce o IVA.

O investimento é criticado pela oposição. O PSD considera que se trata de uma aposta que visa para elevar a fasquia do populismo do actual executivo próximo da campanha para as autárquicas. “Este modelo é um modelo falido, que não atrai expositores, nem público interessado na exposição. É um certame que apenas gera despesa ao concelho”, acusa João Brito, vereador social-democrata e presidente da concelhia de Oliveira do Hospital daquele partido.

Considerando que é importante atrair investimento, cativar e divertir as suas gentes, Brito aguarda agora que o executivo seja igualmente célere a divulgar os novos expositores que conseguiu atrair à “conta deste mega investimento”. “Estamos à espera que existam expositores que possam, de facto, abranger todos os sectores industriais do concelho e arredores, para aí sim, mostrarem o tecido industrial oliveirense. Não queremos acreditar que, depois desta aposta em bandas, se mantenha o modelo de anos anteriores em que a EXPOH se tem resumido a um local de encontro de juntas de freguesias, associações e IPSS’s”, sublinha, antes de terminar em tom de provocação. “Esperamos que o município não continue apostado apenas em dar música aos oliveirenses e cada vez ainda mais cara”.

O líder do CDS/ PP não se mostra tão cáustico. Considera que é importante promover o território e que esse trabalho tem sido bem feito. “Não sou daqueles que alinho na critica fácil de festas e festinhas”, explica Luís Lagos que não deixa, porém, de questionar se será necessário investir assim tanto neste sector, enquanto existem outras prioridades para o concelho. “O dinheiro não é ilimitado, tem de ser investido com parcimónia, não se podendo esgotar nestas iniciativas. É preciso promover o território e tem sido bem feito, mas não se podem ignorar outros aspectos que são de extrem importância para o futuro do conselho”, avisa.
O líder dos centristas fala, neste caso, no apoio às famílias jovens e ao tecido industrial. “Nestes aspectos em Oliveira do Hospital nos últimos 20 anos tem sido zero. E, se queremos um bom futuro para o concelho, temos de apostar no apoio às famílias jovens, numa nova zona industrial preparada para a quarta revolução industrial que dizem estar a chegar. O futuro passa por fixar famílias e quadros qualificados. E nesse aspecto o papel do executivo tem sido uma nulidade”, resume, antes de concluir que ninguém é ingénuo ao ponto de pensar que esta aposta do executivo num cartaz tão forte na EXPOH em termos musicais não tem a ver com a campanha autárquica. “É claro que tem. O problema é que hoje as pessoas já não se deixam levar. Sabem distinguir bem as coisas”, concluiu.

Também o eleito António Lopes vê esta aposta como uma pré-campanha eleitoral. Nada, diz, que não tenha acontecido em anos anteriores. “Em 2013 foi o Tony Carreira etc”, diz, sublinhando que já perdeu a conta à forma como o actual executivo vai “desperdiçando o dinheiro dos contribuintes neste tipo de eventos sem vantagens para o concelho. “Os meus comentários são conhecidos. São os mesmos. A asneira do executivo também é a mesma. Irresponsabilidade desrespeito pelo dinheiro publico e por quem precisa. E os casos aparecem todos os dias. Para a Câmara arranjar mil euros para uma causa social todo o mundo tem que saber. Já para gastarem centenas nestas loucuras, escondem, ou tentam esconder. Felizmente, a lei cada vez mais, obriga à transparência”, frisa, salientando que é um contra-senso que se gastem estes milhares quando não se investe em outras prioridades ou no corte de impostos. “Para o apoio ao ensino superior, à natalidade e outras necessidades sociais fica tudo na mesma. Cortar no IMI e no IRS dizem que não podem. Mas para a festança e bola há sempre dinheiro…”, lamenta.
A aposta do executivo liderado por José Carlos Alexandrino não surpreende. O presidente da autarquia já, no final do certame do ano passado, tinha anunciado que este ano a aposta iria ser superior. Embora tenha garantido que não pretendia fazer sombra a outros eventos da região como a EXPOFACIC ou Feira de S. Mateus que classifica de realidades muito diferentes, o autarca sempre foi referindo que a EXPOH é muito importante em termos económicos, considerando-a uma montra da actividade empresarial e da economia local e regional. “Esta é uma feira regional e não nacional como é a do queijo da serra da Estrela, essa sim, de nível nacional. E batemo-nos por isso”, rematou, recusando-se a ainda a fazer comparações com os eventos dos concelhos vizinhos como Tábua, Arganil ou Seia. “Não vou dizer que temos a melhor feira por uma questão de ética e amizade. Eles fazem as suas melhores feiras. Nós tentamos fazer a nossa melhor”, concluiu na altura o autarca oliveirense.
Fotos: sites oficiais dos artistas
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