Coimbra vai vigiar 671 quilómetros de rios e ribeiras para travar espécies invasoras

As espécies invasoras que estão a ameaçar os cursos de água da Região Metropolitana de Coimbra vão passar a ser combatidas por equipas permanentes no terreno. O novo projecto prevê acompanhar 671 quilómetros de rios e ribeiras, detectar rapidamente novos focos e recuperar os habitats afectados, com a meta de reduzir em 90% a área actualmente invadida até 2031.

O LIFE LUDWIGIA, apresentado esta quinta-feira na Praia Fluvial da Peneda, em Góis, representa um investimento de 2,61 milhões de euros, dos quais mais de 1,56 milhões são assegurados pela União Europeia. Coordenado pela Região Metropolitana de Coimbra, terá uma duração de 60 meses, entre Junho de 2026 e Maio de 2031.

Para garantir uma intervenção contínua, serão criadas três equipas territoriais, com bases em Soure, Tábua e Lousã. O projecto prevê ainda três unidades de biossegurança, locais para armazenamento seguro da biomassa retirada e um viveiro de flora nativa para recuperar as zonas afectadas.

A estratégia combina prevenção, detecção precoce, controlo e recuperação dos habitats. Entre as ferramentas previstas estão a análise de ADN ambiental, a detecção remota, a informação geoespacial e a ciência cidadã, que deverão permitir identificar novos focos antes de estes atingirem maiores dimensões.

O projecto estabelece como metas a detecção precoce de 12 focos, a protecção de cinco espécies nativas e a recuperação de 25,08 quilómetros quadrados de habitats. A intervenção inclui a remoção das espécies invasoras, a gestão da biomassa retirada e a utilização de flora autóctone na recuperação dos locais afectados.

O LIFE LUDWIGIA dá continuidade ao trabalho que a Região Metropolitana de Coimbra tem desenvolvido nos últimos anos no controlo de espécies invasoras nos sistemas aquáticos, mas passa a criar uma estrutura permanente de vigilância e intervenção.

O projecto foi o único português aprovado na convocatória LIFE 2025 na área da Natureza e Biodiversidade e junta seis entidades beneficiárias. A apresentação em Góis contou, entre outros, com a presidente da Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, o secretário executivo, Jorge Brito, o presidente da Câmara de Góis, Rui Sampaio, e representantes do ICNF, da Agência Portuguesa do Ambiente e da Universidade Politécnica de Coimbra.

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