Freguesias esquecidas e promessas por cumprir. Autor: Fernando Tavares Pereira

Há freguesias que parecem contar cada vez menos nas prioridades de quem governa. Em Midões, Candosa e Póvoa de Midões, no concelho de Tábua, acumulam-se problemas e promessas por cumprir.

As estradas e as valetas esperam por intervenção, a queijaria anunciada para Vila do Mato não avançou e o estádio daquela localidade permanece abandonado. É legítimo perguntar que futuro está reservado a estas comunidades e que lugar ocupam nas decisões sobre o desenvolvimento do concelho.

Não se trata simplesmente da falta de obras. Trata-se, sim, da falta de condições e de dignidade para que as pessoas possam continuar a ter uma vida activa nestas localidades. As alterações necessárias ao PDM, que nunca chegaram a ser concretizadas de acordo com as necessidades destas populações, teriam permitido criar condições para atrair investimento e fixar população.

Hoje, torna-se legítimo questionar as razões pelas quais estas freguesias continuam sem as condições necessárias ao seu desenvolvimento, enquanto se abrem portas à exploração mineira. Como se não bastasse o mau funcionamento das ETAR, ainda existe o risco de destruir aquilo que de mais valioso a natureza nos oferece.

O pedido de prospecção e pesquisa de quartzo e feldspato na zona de Vale de Gaios, que abrange partes das freguesias de Tábua, Candosa, Midões e Póvoa de Midões, bem como da União das Freguesias de Covas e Vila Nova de Oliveirinha, levanta questões que não podem ser ignoradas. Está em causa o futuro destas localidades, a preservação do património natural e a possibilidade de conciliar a protecção do território com o desenvolvimento económico e a fixação de população.

Como já referimos, as alterações ao PDM, embora aprovadas, não terão contemplado, na perspectiva das populações destas freguesias, todas as condições necessárias para promover o investimento e o desenvolvimento económico local. É, por isso, legítimo questionar as prioridades definidas para o território e exigir que sejam criadas oportunidades para que estas localidades possam desenvolver-se e fixar população.

As populações têm o direito de conhecer os projectos previstos para o território onde vivem, os seus potenciais impactos e as alternativas existentes. A transparência não pode surgir apenas quando as dúvidas se transformam em protestos. Por isso, a realização de um referendo deve ser considerada, permitindo que as populações se pronunciem sobre uma decisão que poderá marcar o futuro das suas terras.

Como pedir confiança a quem espera há anos por obras e investimentos prometidos, enquanto enfrenta novas incertezas sobre o futuro da sua terra? Antes de discutir o aproveitamento dos recursos, importa olhar para as condições de vida de quem ali permanece.

O desenvolvimento não se mede pelo número de projectos anunciados, mas pela capacidade de criar oportunidades, fixar população e manter as freguesias vivas. Ora, é precisamente isso que não tem acontecido. Ao longo dos anos, estas localidades têm visto limitado o seu desenvolvimento, sem que o PDM tenha contribuído para criar as condições necessárias à atracção de investimento e à fixação de pessoas. Pelo contrário, as opções tomadas em matéria de ordenamento do território têm sido percepcionadas como um obstáculo ao desenvolvimento destas freguesias, em vez de constituírem um instrumento ao serviço das suas populações e do seu futuro.

Não basta falar de desenvolvimento para todo o concelho quando algumas localidades sentem que as suas necessidades continuam a não ser ouvidas. A Câmara Municipal tem de responder aos problemas antigos que permanecem por resolver e garantir que todas as freguesias dispõem de condições para se desenvolverem. O PDM deve aplicar-se de forma equitativa a todo o concelho, sem privilegiar a sede em detrimento das restantes freguesias.

O investimento é bem-vindo onde existam condições para se concretizar e gerar oportunidades. Quem quiser investir nas freguesias deve encontrar um enquadramento que acolha esses projectos, promova a actividade económica e contribua para a fixação de população. O desenvolvimento do concelho não pode ficar limitado à sua sede, tem de abranger todo o território e criar oportunidades para quem nele vive e quer construir o seu futuro.

O território não é apenas um conjunto de recursos a explorar para fins económicos. É o lugar onde as pessoas vivem, trabalham e constroem o seu futuro. Qualquer decisão sobre o seu ordenamento e desenvolvimento deve respeitar essa realidade e garantir que todas as freguesias têm condições para prosperar.

O maior perigo é aceitar o abandono como inevitável. Quando as promessas deixam de criar esperança e passam a alimentar a descrença, as pessoas começam a perguntar-se se vale a pena permanecer nas suas terras. Uma freguesia começa também a desaparecer quando os seus habitantes deixam de acreditar no poder local e central, por sentirem que foram abandonados por quem tem a responsabilidade de os ouvir e de encontrar soluções para os seus problemas.

Midões, Candosa, Póvoa de Midões e as restantes freguesias do concelho não podem ser tratadas como territórios de segunda categoria. Precisam de investimento, de obras concretizadas e de respostas claras sobre os projectos que podem afectar o seu futuro. Não pedem privilégios. Exigem respeito, igualdade de tratamento e responsabilidade.

Nota sobre o IC6

Finalmente, depois de tanta pressão, parece haver algum avanço no IC6, embora a ligação não avance, para já, na sua totalidade até à Covilhã, ficando-se por uma extensão até Folhadosa, no concelho de Seia. Ainda assim, trata-se de uma melhoria importante para a região.

Mas, depois de décadas de promessas adiadas e de projectos anunciados para o IC6, o IC7 e o IC37, a prudência impõe-se. A região já ouviu demasiados anúncios para que possa confiar apenas nas intenções. Só acreditarei verdadeiramente na concretização destas infra-estruturas quando as obras começarem. Até lá, as dúvidas permanecem e a região continua à espera de respostas concretas.

Autor: Fernando Tavares Pereira

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