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“Há coisas na vida que não podemos esquecer”

O empresário Fernando Tavares Pereira promoveu, em Dezembro, uma tiborna com cerca de 170 quilos, reunindo um grupo de amigos no lagar do Grupo Tavfer, em Vila Nova de Tazem, concelho de Gouveia. Além de anfitrião, Fernando Tavares Pereira assumiu também o papel de cozinheiro, uma função que considera essencial para preservar o espírito da tradição associada a este tipo de encontro.

“Há coisas na vida que nós não podemos esquecer, são os amigos”, afirmou. Explicou que o convívio se realiza anualmente – com excepção do ano passado por motivos de saúde – e representa um momento de reencontro, partilha e memória, num tempo marcado pela perda de referências e de costumes. O empresário acrescenta mesmo que iniciativas como esta assumem um significado especial numa sociedade que se tem afastado das suas raízes. “Infelizmente estamos a perder os costumes, a perder a tradição das Beiras”, disse, sublinhando a importância de manter gestos de proximidade e reconhecimento entre pessoas que partilharam percursos comuns.

O encontro juntou amigos, clientes e parceiros profissionais de várias décadas. Fernando Tavares Pereira recordou que realizou trabalhos para famílias inteiras e que esse percurso de reciprocidade marcou a sua forma de estar. “Muitos ajudaram-me, eu também os ajudei. Este intercâmbio é muito importante”, afirmou.

O prato foi preparado com produtos da época, usando azeite novo e couves próprias desta altura do ano, que ganham doçura após as geadas. O molho especial, feito pelo próprio, equilibra os sabores e prolonga a refeição à mesa. No total, foram utilizados cerca de 20 litros de azeite e preparados aproximadamente 170 quilos de tiborna, consumidos na totalidade.

Fernando Tavares Pereira recordou ainda os tempos em que vendia nas feiras com os pais e quando trabalhou no restaurante da família, experiências que moldaram a sua relação com a cozinha e com os produtos da terra. “Nunca me esqueci do passado. Nunca tive vergonha das minhas origens”, afirmou. “Hoje continuo a conversar com os cozinheiros. Eu aprendo muito com eles, mas eles também me sabem ouvir”, concluiu, destacando a importância da transmissão de saberes e da valorização da experiência acumulada.

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