Na primeira semana de Setembro realizou-se mais uma reunião de grande interesse para a região e para o país. O conselheiro para as Infra-estruturas do Governo da Extremadura, Francisco González, encontrou-se com o secretário de Estado das Infra-estruturas, Hugo Espírito Santo, numa reunião preparatória destinada a acelerar os procedimentos para o lançamento do IC31.
O IC31 é uma infra-estrutura importante porque, articulado com o IC6, permitirá ligar Coimbra a Madrid por estrada em menos de cinco horas. É um investimento estratégico para o país, aproximando a região Centro de Madrid, onde estão cada vez mais concentrados os centros de decisão à escala da Península Ibérica.
Mas é também um investimento há muito esperado por esta região. Há pelo menos duas décadas que se fala do IC6, do IC7 e do IC37. O IC6 está agora numa fase de prospecção e levantamento do terreno até Folhadosa, no concelho de Seia, com vista ao lançamento do concurso público. Portugal e Espanha pretendem acelerar os procedimentos para que, em 2030, ano em que os dois países acolhem o Campeonato do Mundo de futebol, estas ligações rodoviárias estejam concluídas.
Os prazos são curtos, sobretudo quando se olha para as décadas que se perderam em procedimentos que não avançaram. Ainda assim, há agora um sinal de esperança para uma região que vai de Penacova a Celorico da Beira e à Covilhã e que há muitos anos luta por infra-estruturas rápidas e seguras.
Mas há uma questão que não pode ser ignorada. Os concelhos do Norte da Serra da Estrela não se prepararam para receber estas infra-estruturas.
Não prepararam zonas industriais capazes de acolher investimento privado, nacional ou estrangeiro. Não prepararam os respectivos PDM. Não prepararam variantes que permitam ligar os futuros acessos às estradas nacionais, como é o caso da EN17. E, principalmente, não dotaram a região de infra-estruturas de saúde próximas da população, sendo que estes investimentos surgem também como uma oportunidade para aproximar as pessoas dos hospitais centrais.
Quando os IC chegarem, porém, em muitos casos não haverá sequer as ligações municipais necessárias para os utilizar devidamente.
E esta responsabilidade não é do Estado. É das câmaras e dos municípios. Durante duas décadas, faltou aos autarcas do Norte da Serra da Estrela o compromisso necessário para preparar a região para os investimentos que reclamavam. Falaram muito, mas fizeram pouco para preparar a chegada das infra-estruturas.
A comparação com o Sul da Serra da Estrela é inevitável. Fundão e Covilhã andam há anos a preparar-se para reter empresas, a criar vias de comunicação e infra-estruturas e a garantir as condições básicas para receber investimento e crescer. Fizeram esse trabalho mesmo antes de os investimentos do Governo estarem concretizados, aguardando que o Estado cumprisse a sua parte.
Na zona de Viseu, a situação é diferente. Não se pode fazer a mesma crítica aos concelhos dessa área, que seguiram os passos do Fundão e da Covilhã.
Agora é esperar que o Governo consiga avançar sem que lhe sejam colocadas mais pedras na engrenagem, impedindo que os investimentos sejam feitos, como aconteceu no passado.
Depois de duas décadas à espera, é tempo de as infra-estruturas avançarem. E é também tempo de os municípios estarem preparados para as receber.
Portugal e Espanha têm de acelerar os procedimentos. O Governo tem de cumprir a sua parte. As obras têm de avançar. Mas os municípios também têm de assumir as responsabilidades que lhes cabem.
Porque há duas décadas que esperamos pelas estradas e o Mundial de 2030 será uma oportunidade para executar estes investimentos, como aconteceu com obras estruturantes como a Ponte Vasco da Gama para a Expo 98 ou o Hospital Distrital de Viseu para o Euro 2004.
É tempo de estarmos preparados para quando elas chegarem.
Autor: Nuno Pereira
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