O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital desfez todas as dúvidas: a sua recandidatura a um próximo mandato está dependente de uma solução para o IC6. José Carlos Alexandrino reafirmou na ultima Assembleia Municipal que o seu futuro político está nas mãos do executivo liderado por António Costa. “A minha recandidatura está condicionada, se o PS assim o entender, a esse problema”, afirmou taxativamente, revelando esperar “brevemente uma resposta definitiva” por parte do executivo liderado por António Costa sobre este assunto. O PSD desconfia que este seja apenas mais um número de propaganda.
José Carlos Alexandrino, que respondia a algumas questões colocadas pelo eleito social-democrata Rafael Costa, frisou que neste momento não pode afirmar se é ou não candidato. “Não tenho condições. Espero que no dia que seja assinado aqui a adjudicação, o Governo tome uma posição clara em relação ao IC6. Isso é fundamental. É uma questão de palavra que levarei até ao fim. Já falei com o senhor ministro e aguardo notícias brevemente”.
O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, recorde-se, não é a primeira vez que ameaça tomar posições duras para com o poder central em relação àquela via. Quando se candidatou ao primeiro mandato afirmava que o IC6 era uma das suas principais prioridades. Ainda nessa legislatura e com José Sócrates como primeiro-ministro terá ameaçado demitir-se se as obras não avançassem. Não se concretizou. Mais tarde, em Abril de 2014, ameaçou um corte da EN17 e um boicote às eleições europeias de Maio de 2014 em defesa do projecto. “Já percorremos todos os caminhos da diplomacia e como o Governo continua sem nos querer ouvir, estou disponível para liderar um movimento que o obrigue a repensar a estratégia para esta região”, afirmou na altura. Também estes avisos não tiveram seguimento.
Estes avanços e recuos de José Carlos Alexandrino, levam o responsável pelo PSD de Oliveira do Hospital a desconfiar de mais este anúncio. João Brito diz que José Carlos Alexandrino já prometeu tanta coisa que é difícil acreditar. Recorda que a 22 de Dezembro de 2015 garantiu que tinha chegado a acordo com o presidente das Infra-estruturas de Portugal para a construção de um pequeno troço do IC6 até Oliveira do Hospital, num investimento de 25 milhões de euros. O que se realizou? Nada.”, conta o também vereador social-democrata, o qual aguarda que, desta vez, o autarca apenas avance se tiver já tudo devidamente assinado. “Após estas afirmações espero que apenas avance se a obra estiver adjudicada e com datas definidas de concretização. Caso contrário, serão muito provavelmente apenas promessas ocas, mas que lhe permitem avançar como se o caso estivesse resolvido, enganando, mais uma vez, os eleitores”, remata.
“EN17 vai ser requalificada”
O assunto surgiu quando Rafael Costa confrontou o autarca com a ausência de obras de requalificação da Estrada Nacional 17, uma que chegou a estar contratualizada no Governo liderado por Passos Coelho. As dúvidas deste eleito aumentaram depois de um contacto com as Infra-estruturas de Portugal da qual recebeu recentemente uma resposta que não o tranquilizou. A empresa informou aquele eleito que a via “é alvo de trabalhos de fresagem e tapagem de covas no pavimento, enquanto se aguarda uma empreitada de requalificação”. “Como não sinto que a tapagem de covas esteja a acontecer, espero que as palavras do senhor presidente de que está para breve a requalificação da EN17 não passem disso mesmo: palavras. De palavras estamos fartos. Vamos esperar para ver”, afirmou Rafael Costa.
O autarca não gostou do reparo e assegurou que, ao contrário daquilo que “muitos gostariam”, o presidente da Câmara tem feito o seu trabalho. José Carlos puxou mais uma vez dos galões dos contactos que tem realizado com várias instâncias, entre elas o Governo e a Comissão Europeia. “Alguns vivem o concelho só por aquilo que se escreve nos jornais. Não andamos com palavras. Reivindicamos mesmo. Muitos gostariam que a EN17 não fosse requalificada, mas vai ser”, assegurou, relembrando que não esquece o IC6. “Também não deixo de falar dessa via. Já tive uma reunião com o ministro e duas vezes com o Primeiro-ministro. Não fujo das coisas. Vou ao combate, dou o corpo”, repetiu em tom eufórico, concluindo que a conclusão do IC6 é uma questão de palavra que levará até ao fim.
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