José Manuel Fernandes visitou áreas ardidas em Oliveira do Hospital e Arganil e anunciou investimentos em projectos-piloto e medidas de mitigação
O ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, defendeu hoje a implementação de vários projectos-piloto de pastorícia extensiva nos territórios do Norte e Centro do país atingidos pelos incêndios deste Verão, como forma de prevenção e mitigação do risco de fogos.
Durante uma visita a áreas ardidas na Serra do Açor, nos concelhos de Oliveira do Hospital e Arganil, onde deflagrou o maior incêndio nacional de sempre, o governante afirmou que “a pastorícia extensiva é uma das soluções e que vai ajudar muito, mas não será a única solução para resolver esta questão”, acrescentando que pretende utilizar uma dotação de 30 milhões de euros do Fundo Ambiental para apoiar estes projectos.
Além da prevenção, José Manuel Fernandes destacou que a pastorícia pode gerar uma fileira de valor, com produção de carne, leite e queijo, contribuindo também para a coesão territorial e dinamização económica das regiões afectadas.
O ministro anunciou ainda a intenção de reforçar o investimento em prevenção, apostar em fogo controlado para criar zonas de protecção e alterar a legislação da propriedade, permitindo às autarquias limpar terrenos quando não é possível notificar os proprietários. Estas medidas, em conjunto com o Plano de Intervenção para a Floresta 2025-2050, visam reduzir significativamente os incêndios florestais em Portugal.
José Manuel Fernandes salientou também a importância das operações integradas de gestão da paisagem na defesa contra os fogos, referindo que estão actualmente em curso 62 operações, com um investimento total de 66 milhões de euros. O projecto Condomínios de Aldeia, destinado à protecção das localidades, passou de 321 para 822 unidades, embora nem todas ainda estejam concluídas.
O governante adiantou que os apoios até 10 mil euros para os afectados pelos incêndios deste ano já começaram a ser pagos, enquanto os apoios superiores a 10 mil euros, relativos a 2024, estão a ser processados, garantindo que todos os beneficiários receberão os montantes devidos.
O incêndio que começou na zona do Piódão, na Serra do Açor, no dia 13 de Agosto, consumiu cerca de 11.800 hectares em Arganil, correspondendo a quase 40 por cento da área do concelho. O fogo afectou também os concelhos de Pampilhosa da Serra e Oliveira do Hospital, em Coimbra, Seia, na Guarda, e Castelo Branco, Fundão e Covilhã, em Castelo Branco, totalizando 64 mil hectares ardidos, a maior área atingida de sempre em Portugal, segundo dados provisórios do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).
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