Até a camisola da Seleção da Argentina é de côr “alviceleste” (branco e azul) ou seja, mescla-se com as cores do céu para ser protegida por ele…
E neste Mundial tem-no sido. Dir-se-á que a Argentina tem tido sorte nas recuperações em “emergência” que seus jogadores fizeram em dois jogos e em especial neste 2-1 contra a Inglaterra.
Como é costume dizer-se, não há campeões sem sorte mas também se ganha a sorte…trabalhando para ela se nos revelar e também durante um jogo de futebol. E assim tem sido com a Argentina.
Para mim, este jogo Argentina contra Inglaterra, foi do que de mais intenso, bizarro e curioso, quiçá único, eu alguma vez vi em futebol e sou fã atento deste “desporto” há mais de 60 anos !
Vejamos:
— Com as duas equipas em formação a ouvir os Hinos Nacionais, também se ouviram nitidamente os apupos sonoros com que os adeptos de cada uma das Selecções “brindavam” o Hino do adversário.
— Jogadores e treinador da Argentina cantaram o Hino da sua Pátria com uma convicção tal como eu nunca tinha visto em manifestações desportivas e não só desportivas. Cantaram o Hino da Argentina como se, naquele momento, fosse uma autêntica expressão guerreira de seus corpos e suas almas ! Eu fiquei impressionado a ver (e até a ouvir) na televisão !
— Sim, sim perpassaram por ali os fantasmas da “guerra das Malvinas” – entre a Argentina e a Inglaterra – tal como já tinham perpassado há 40 anos atrás, em Junho de 1986, numa meia final do Mundial desse ano, no México, entre a Argentina – 2 e a Inglaterra – 1. Aliás, no final deste desafio de agora, jogadores da Argentina exibiram, no relvado, um panal com referência escrita e inequívoca às Ilhas das Malvinas como parte da república da Argentina e não da monarquia Inglesa. Esclarecedor…embora sujeito a penalizações por parte da FIFA mas não deixaram de o fazer…
— Regressando ao futebol jogado, os primeiros 10 minutos mostraram a gana com que os Argentinos entraram a “bater” nos Ingleses como se estivessem a vingar-se de algo ruim. Aliás, a primeira parte foi duramente jogada em sentido literal…
–Segunda parte veio com o bizarro a impor-se. Inglaterra faz 1 – 0 e o seu “destreina” Tuchel manda a equipa recuar para as imediações da área e “dá” o comando do jogo à Argentina. Fez mesmo umas substituições desastradas como com a entrada de jogadores que ficavam melhor na Selecção de Rugby de Inglaterra, essa sim, uma das melhores do mundo. Enquanto isso, o craque Kane, número 9 nas costas, andava cá atrás a brigar pela bola junto à área oposta àquela (a da Argentina) em que devia andar e onde muito bem saberia pisar e ser perigoso…
— E o mais estranho foi, jogadores e “destreina” da Inglaterra terem-se esquecido (?!) daquele “diabinho” esperto e habilidoso chamado Messi. Este foi de certeza o jogador que no tempo total de jogo menos espaços e menos tempo correu. Mas foi aquele que mais comandou e mais influenciou o jogo pela influência prática (assistências) e pela motivação injectada nos seus companheiros. Messi andava “por ali”, fazia-se de morto mas, de repente, provocava uns sobressaltos no ritmo e no espectáculo. Enquanto isso, os seus companheiros enviaram duas bolas aos ferros da baliza de um irritado e esforçado guardião Pikford.
Atente-se na jogafa do segundo golo da Argentina em que três defesas da Inglaterra não conseguiram travar Messi que acelerou – estava lúcido e com reservas físicas com mais de 90 minutos de jogo – foi à linha de cabeceira, pôs os olhos no seu avançado que acabara de entrar em jogo e pôs-lhe (centro com o pé direito…) a bola “obediente” na cabeça para o golo da vitória no bonito lance que selou o desafio com o regresso da Inglaterra a casa e a ida da Argentina à final. Sim, sem retirar mérito aos outros Argentinos, também há demérito dos Ingleses. E sobretudo há todo um conjunto de peripécias futebolísticas muito raras mas felizes em que Messi é protagonista principal. E “quem viu, viu, quem não viu, perdeu !”.
— E se há 40 anos atrás, o irrepetível Maradona “derrotou” a Inglatera utilizando os irrepetíveis recursos da “mão de Deus” e do “golo do século”, desta vez Messi “derrotou” a Inglaterra com recursos menos espectaculares mas igualmente eficazes. E não estou sequer a compará-los mas a constatá-los. Sim, Messi também é um “irrepetível” como irrepetível foi esta segunda parte do Agentina 2 – Inglaterra 1.
— E, agora, Domingo vai ser a final deste Mundial com um Argentina versus Espanha.
Messi quer muito ganhar essa final. Mais do que os seus companheiros que também querem ganhá-la, obviamente. É que Messi tem um duelo histórico, “made in Argentina”, privativo, com Maradona…
Só que a Selecção Espanhola é, porventura, o “pior” adversário que podia ter calhado à Argentina, aliás como a qualquer outra Selecção… Esperemos que o prélio resulte num desafio “irrepetível”. Em que os “artistas” do jogo da bola mostrem a sua arte futebolística. E que ganhe a Selecção que mais golos marcar !
Autor: João Dinis, Jano.
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