A mais recente edição da Facit, em Tábua, poderá vir a ser uma machadada no turismo local e regional. A decisão anunciada pelo vereador do Turismo, David Pinto, de criar uma zona dedicada ao turismo foi inicialmente recebida como uma boa medida para o sector.
Embora, por estes dias, os operadores turísticos tenham os seus alojamentos com boas taxas de ocupação, uma vez que estamos em época média/alta, todos, ou a maioria, viram com bons olhos a possibilidade de divulgar aos visitantes as suas actividades e aquilo que têm para oferecer aos turistas, em especial aos que vêm à Facit de outras paragens. Mas aconteceu o inédito: os operadores locais, para estarem presentes, têm de suportar custos de exposição e, a somar a isso, foram convidados operadores de outras regiões para venderem os seus destinos aos visitantes da feira, muitos deles em concorrência directa com os empreendedores locais.
Não se sabe ao certo se esses operadores pagam o espaço de exposição e as despesas de presença, como alojamento e alimentação. O mais grave, porém, é que o novo espaço dedicado ao turismo na Facit, em vez de servir para promover o turismo e o lazer locais, vai servir, essencialmente, para incentivar as pessoas da região e os visitantes da feira a escolherem destinos fora do concelho. Enquanto a região adopta o lema “Vá para fora cá dentro”, a Facit parece apostar num “vá para fora lá fora”.
É um grande erro estratégico do vereador do Turismo, David Pinto. Uma decisão que só pode ter contornos que desconhecemos e que demonstra pura desorientação no sector.
Deveria promover os empreendedores locais e disponibilizar campanhas e vouchers para utilização nos empreendimentos turísticos do concelho, em vez de “andar a dar borlas aos de fora”, a não ser que existam contrapartidas que não são do conhecimento público.
Como afirmou o presidente do Turismo do Centro, a propósito da BTL, há feiras que acabam por ser apenas um exercício de vaidade, onde muitos vão fazer despesa e passeio com o dinheiro dos nossos impostos. No caso de Tábua, a Facit arrisca-se a transformar-se na feira da vaidade, envergonhando os sectores do turismo e da restauração locais e provocando prejuízos difíceis de recuperar. Afinal, não podemos concorrer com destinos de turismo de massas com praia, nem com regiões que beneficiam de custos de exploração muito mais baixos.
Feira, sim, mas sempre para valorizar o tecido empresarial local, as tradições e as populações.
Só falta concretizar o heliporto, anunciado em 2017, para levar as pessoas de cá para fora.
Os tabuenses merecem um pedido de desculpas.
Autor: Nuno pereira
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