Ouvindo os nossos candidatos nos debates eleitorais, nota-se um profundo desconhecimento e falta de reflexão, sobre o País real, os avanços tecnológicos, e as funções a que se propõem.
Ao ritmo acelerado com que a tecnologia suprime empregos, a meu ver, a luta deve ser segurar os que se têm como primeira prioridade, mantendo serviços e melhorando a qualidade dos mesmos, apoiando a requalificação e modernização de empresas.
O Emprego qualificado, a não ser em tecnologias de ponta, que por o serem já não necessitam de muitos, conseguem-se como e onde? Era isso que eu gostava de ouvir explicar.
Interessado como sou, pela coisa pública, tenho vindo a seguir os debates autárquicos.
Naturalmente, todos prometem quase tudo. Especialmente, a criação de emprego qualificado. Sim, esse é o único emprego com futuro. Eu diria, só mesmo muito qualificado…!
E dei comigo a pensar:
Aqui há uns anos, não muitos, entrava ou saía das auto-estradas, estavam lá funcionários a fazer a cobrança…
Ia às finanças, conservatórias, bancos e esperava horas em filas, para ser atendido, apesar de um batalhão de funcionários.
Tinha o mesmo problema em quase todos os serviços da administração pública, empresas de serviços, grandes fornecedores, tipo EDP, CP, Epal, etc. etc.
Ora, acontece que, hoje, as portagens têm lá uma maquineta chamada via verde.
Os bancos já não querem movimentos em dinheiro(espertos) e estão a esvaziar de funcionários, um sector de emprego especializado e volumoso. O que não se faz em casa por transferência, deposita-se numas maquinetas à entrada do Banco.
Finanças, conservatórias, pagamentos de água luz telefones, requerimentos tudo se faz on-line. O próprio interessado…
Na agricultura as máquinas fazem quase tudo. No 24 de Abril na agricultura, empregavam-se 35% da população. Hoje, com 5%, produz-se muito mais que com os 35%..!
A minha filha esteve cá de férias. Meteu-me uma pulseira num braço. De repente, descobri que já tenho conta Km, medidor permanente da pulsação, stresse e mais não sei o quê, que ainda não me entendo com o brinquedo. Mas, se calhar, lá vão mais uns postos de trabalho no sector da saúde. Este, já emprego qualificado.
Aqui chegados, sendo a tendência da supressão acelerada de empregos, questiono-me, como e onde, pensa esta gente, que os promete, arranjar esses empregos?
Como sou candidato e não gosto mesmo nada de mentir, ou prometer o que sei dificilmente poder cumprir, por estes dias, preocupado, ando a reflectir no assunto.
Aprofundando, que nem falei nos robôs, ando a pensar em duas coisas:
1-A humanidade fruto do estudo e evolução, está a atingir um estádio em que se pode libertar do trabalho intensivo e penoso, o que é uma grande conquista. Cada vez vive mais e melhor.
2- Esse bem-estar consegue-se à custa da evolução técnica – que produz a supressão dos postos de trabalho – por desnecessários. Como se vai, socialmente, resolver o problema?
Será por isto que começaram a aparecer as Sidas, os SARs2 os Covids? Serão doenças naturais, ou são doenças induzidas? Os americanos dizem que a humanidade tem que ser reduzida 3/5…! Na minha opinião, pelo atrás dito, nem são precisos tantos.
Como e do quê, vão viver esses 3/5 “supranumerários”, enquanto não morrem ou não os conseguem matar? Efectivamente, digam o que disserem, não vai haver empregos para eles. E comida, também já dizem que está ultrapassada a capacidade de produção…
Tenho para mim que temos que nos organizar de outra maneira.
Mesmo que se queira, os donos dos meios de produção, não poderão resolver este assunto. Tal como estamos organizados, as empresas vivem do e para o lucro. E ai delas se o não fizerem. Morrem…!
Ficam expostas as minhas preocupações e reflexões. Fica explicado porque penso o que penso, politicamente, para cuja solução não vejo alternativas.
Dêmos-lhe as voltas que se derem, a muito curto prazo, teremos que ser, TODOS, “à palha e ao grão”, sob pena de nos matarmos reciprocamente, na luta pela sobrevivência, até ficarem só os necessários.
Admitido que possam haver outras soluções. Fico, todo, olhos e ouvidos. Como ensinou Lenine, aprender, aprender, aprender, sempre…!
Autor: António Lopes
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