Presidente da CM de Tábua ameaçou suspender obras na escola secundária

O presidente da Câmara de Tábua, Ricardo Cruz, anunciou na última Assembleia Municipal, realizada na segunda-feira, 21, que o Município vai suspender as obras da Escola Secundária por falta de financiamento. Avaliadas em cerca de 5,7 milhões de euros, valor que consta num placard afixado no exterior do edifício (mas julga-se que esse valor tenha já “derrapado” para cerca de 8 milhões), as obras de requalificação da escola são uma dor de cabeça para o executivo, que fala no não cumprimento de um acordo estabelecido com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), entre os quais se incluía Tábua, no que concerne ao financiamento da obra. Um recente decreto-lei apontou, nesta nova candidatura, para o financiamento de apenas 85 por cento do valor global do investimento. “Pergunto a todos vocês se ainda estão na disponibilidade de termos de fazer um empréstimo de 2 milhões de euros para continuar aquela obra num edifício que não é nosso, mas que é do Governo”, exclamou Ricardo Cruz, que prometeu não convidar o ministro da Educação para a inauguração, dada a falta de resposta às missivas que lhe tem dirigido para resolver um problema que “é do Governo de Portugal e não das Câmaras”, fazendo menção à descentralização de competências.

“Vamos terminar agora o Bloco B, os campos exteriores e, depois, suspendemos a obra até que a candidatura venha aprovada”, concluiu o edil.

Vale a pena lembrar que o ministro da Economia e da Coesão, Castro Almeida, numa audição no Parlamento realizada no passado dia 23 de Julho, garantiu o financiamento das obras nas 451 escolas abrangidas pelo acordo assinado da ANMP com os municípios.

“Nenhuma escola incluída no programa ficará sem apoio e o compromisso será executado na totalidade”, acentuou o ministro.

O Governo já havia avançado que nem todos os investimentos do PRR teriam de ficar concluídos até 31 de Agosto. Em causa está o facto de vários projectos terem sido executados em “overbooking” (em excesso), o que vai permitir concluir o PRR com uma execução de 100 por cento, mesmo que haja alguns investimentos que não sejam concluídos dentro do prazo.

Nesta Assembleia Municipal, o PS e o Chega aprovaram, por maioria, uma proposta apresentada pelos socialistas de rejeição de portagens no IP3, avançada pelo ministro Pinto Luz.

O PSD absteve-se, tendo Vítor Melo aludido às palavras do ministro da Presidência, Leitão Amaro, que garantiu, numa nota de imprensa divulgada na quarta-feira, 16, de uma forma inequívoca, que será possível viajar de Viseu até Coimbra sem pagar portagens, ou seja, o troço “ficará isento”.

“Se não tivesse havido este esclarecimento, nós acompanharíamos a moção do PS, porque em primeiro lugar estão as pessoas, não as cores partidárias”, frisou Vítor Melo.

E o deputado do PSD lembrou as promessas eleitorais nunca cumpridas do PS no que respeita às obras de vulto, como foi o caso da promessa eleitoral de um candidato de um concelho vizinho, proclamando que se demitiria caso a extensão do IC6 não fosse feita durante o seu mandato.

Texto: José Leite
Em colaboração com “O Tabuense”

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