Rolo considerou importante papel das acácias e mimosas na contenção dos solos “após incêndios de Inverno”

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, defendeu ontem, na Assembleia Municipal, que as acácias e mimosas ajudaram a segurar os solos em zonas declivosas do vale do Alva após os incêndios. “Se não fossem as mimosas e as acácias nas zonas declivosas do vale do Alva, não tínhamos estrutura para assegurar os solos nos incêndios de Inverno”, afirmou, em resposta às críticas de um jovem sobre a elevada presença de espécies invasoras no concelho.

A questão foi colocada por João Bernardo Mendes Pais, de 23 anos, no período de antes da ordem do dia, que questionou o município sobre os trabalhos de prevenção realizados depois dos incêndios de 2017 e 2025. O jovem apontou a presença de eucaliptos e mimosas, linhas de água “completamente obstruídas” e questionou o impacto da actual situação da floresta na biodiversidade e no turismo.

“É preciso acção concreta, é preciso trabalho no terreno e é preciso haver pessoas responsáveis e competentes a acompanhar aquilo que está a ser feito”, afirmou João Bernardo Mendes Pais perguntando ainda se existe algum estudo sobre o impacto dos incêndios e da situação da floresta na biodiversidade do concelho, sublinhando que actualmente é notória uma menor presença de aves de rapina, coelhos, perdizes e raposas na região e em particular na Serra do Açor. Questionou também se Oliveira do Hospital tem uma visão para o território a 10, 20 ou 30 anos.

O presidente da autarquia, aparentemente algo incomodado, começou por acusar o jovem de vir para ali fazer política, porque já se tinham encontrado várias vezes e nunca lhe tinha colocado estas questões. José Francisco Rolo afirmou que o combate às espécies invasoras é um desafio para Oliveira do Hospital e para os restantes municípios da Região Metropolitana de Coimbra. “É impossível retirar toda a carga de acácias e mimosas em toda a sua extensão. É impossível erradicá-las”, afirmou.

O presidente da Câmara garantiu, contudo, que está prevista uma intervenção para reduzir a presença de acácias, “particularmente no vale do Alva”, mas também aproveitou para defender de alguma forma as espécies invasoras. “Se não fossem as mimosas e as acácias nas zonas declivosas do vale do Alva, não tínhamos estrutura para assegurar os solos nos incêndios de Inverno”, disse. “Basta repararem na zona de São Gião. Se não fosse aquela zona de acácias e mimosas … foi a única vegetação que segurou as terras foram as zonas das acácias, onde houve fortes deslizamentos de solo e deslizamentos de rochas”, rematou

José Francisco Rolo apresentou também os trabalhos de prevenção realizados pelo município, indicando 155 quilómetros de limpeza de valetas e valas e 1.629,36 hectares abrangidos por diferentes intervenções de limpeza e gestão de combustível.

O município contabiliza ainda 184,89 quilómetros de beneficiação da rede viária e florestal e intervenções de pós-incêndio com um investimento superior a 310 mil euros na contenção de zonas declivosas, protecção de recursos hídricos e mitigação dos impactos dos incêndios.

O autarca anunciou, por outro lado, que em Outubro terão início processos de reflorestação do concelho em articulação com a Fundação Benfica e o ICNF.

 

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