O antigo presidente do PSD Rui Rio defende que o desenvolvimento do Interior do país, através da criação de investimento e emprego, é essencial para resolver os problemas da habitação em Portugal. Em entrevista à CNN Portugal, considera que a concentração da população e da actividade económica em Lisboa e no Porto está na origem de um desequilíbrio territorial que agrava a pressão sobre o mercado habitacional.
“O principal problema da habitação tem décadas” e resulta de “querermos meter o país todo no litoral, particularmente em Lisboa e no Porto”, afirmou Rui Rio, defendendo que a solução passa por uma política de desconcentração. A desertificação de territórios como Bragança, Guarda, Portalegre, Beja e Évora, enquanto a população e as oportunidades se concentram nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, acaba, no seu entender, por agravar as dificuldades no acesso à habitação.
Na perspectiva do antigo líder social-democrata, aumentar a construção nas duas maiores cidades do país não será suficiente para resolver o problema e poderá mesmo contribuir para uma subida dos preços. Rui Rio admite que o actual Governo está a fazer melhor do que o anterior nesta matéria, mas considera que a resposta tem de ir além do reforço da oferta habitacional nos grandes centros urbanos.
“Desenvolver o Interior, criando investimento, emprego e, por consequência, habitação para o país ser equilibrado do ponto de vista territorial, é o primeiro passo para a solução da habitação”, sustentou.
Rui Rio defende que esta mudança exige “sentido de Estado” por parte dos dirigentes partidários e a capacidade de ultrapassar divergências políticas em torno de matérias estruturais. Nesse plano, demarca-se da posição de Pedro Passos Coelho, que tem defendido entendimentos à Direita, manifestando preferência por acordos entre os sectores mais moderados do espectro político.
“Eu prefiro, francamente, entendimento nos sectores mais moderados do que em sectores mais extremados”, afirmou.
O antigo líder do PSD reconhece, contudo, as dificuldades de alcançar consensos alargados, sobretudo num quadro político com três forças partidárias de maior dimensão. Considera difícil construir um entendimento com o Chega e, simultaneamente, conseguir o acordo do PS, mas admite que tal será possível se os partidos colocarem os interesses estruturais do país acima das disputas partidárias.
“É do interesse do país, tanto faz ser de Direita ou de Esquerda, é preciso é ter sentido de Estado e largar as tricas partidárias”, defendeu, apelando a um esforço de entendimento em torno do desenvolvimento territorial e da habitação.
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