Sampaense Basket parte para a época 2026/27 com um plantel praticamente renovado e uma Proliga com um novo formato. Cláudio Figueiredo, que vai cumprir a 14.ª época consecutiva no comando da equipa, assumiu no início de Setembro que a manutenção é a primeira meta, mas que o sonho de devolver o clube de São Paio de Gramaços ao principal escalão do basquetebol nacional está presente.
“Queremos, em primeiro lugar, claramente garantir a manutenção o quanto antes, mas também queremos ser ambiciosos e tentar obter bons resultados e se calhar até pensar em algo mais”, afirma o treinador, que admite o desejo de devolver o emblema de São Paio de Gramaços ao principal escalão do basquetebol nacional. “A ambição existe, mas há outros clubes com condições orçamentais e jogadores que lhes permitem assumir-se como candidatos à subida. Para já, queremos criar uma equipa competitiva e que entre em todos os jogos para lutar pela vitória”, acrescenta.
O novo modelo da Proliga coloca as 16 equipas numa única série, com uma fase regular de 30 jogos. O Sampaense Basket terá deslocações de Norte a Sul do país, incluindo Madeira e Açores, e, segundo Cláudio Figueiredo, fará mais cerca de 5000 quilómetros do que na época passada.
“Desportivamente, acho que é mais justo, porque jogam todos contra todos e não há aquela coisa de uma série ser mais forte que outra”, considera o treinador. Mas a alteração traz também maiores exigências logísticas. “Vamos ter jogos em que vamos ter de sair no dia anterior, vamos ter viagens muito mais longas e isso também acarreta custos”, explica Cláudio Figueiredo.
Plantel renovado
A preparação começou a 31 de Agosto com um plantel profundamente renovado. Dois jogadores da época passada renovaram, juntando-se-lhes três atletas da formação, dois dos quais já integravam o plantel sénior na temporada anterior, e oito reforços. Entre estes estão dois norte-americanos, que se juntam ao jogador estrangeiro que transitou da época passada.
A construção do plantel não é, contudo, simples para um clube do interior. Cláudio Figueiredo explica que é muitas vezes mais fácil contratar estrangeiros do que portugueses para virem jogar para Oliveira do Hospital. “Por vezes, é mais fácil conseguir contratar jogadores estrangeiros para virem para o interior do país do que propriamente os jogadores portugueses”, afirma. Na perspectiva do treinador, esta dificuldade está relacionada com o facto de muitos jogadores portugueses conciliarem o basquetebol com os estudos ou o trabalho, enquanto os que vivem exclusivamente da modalidade procuram também, em regra, outras condições nos grandes centros.
O técnico sublinha ainda as dificuldades acrescidas de competir a este nível a partir do interior, onde o Sampaense Basket é o único representante. “Temos feito um trabalho de excelência tendo em conta ser um clube do interior do país”, considera Cláudio Figueiredo.
Uma ligação de mais de 30 anos
A renovação de Cláudio Figueiredo por mais uma temporada prolonga uma ligação ao Sampaense que começou aos 12 anos. Fez a formação no clube, chegou à equipa sénior e jogou ainda quatro épocas fora, antes de regressar e terminar a carreira de jogador aos 30 anos.
Como treinador, acumulou também funções nas selecções distritais e mantém-se como seleccionador nacional de basquetebol para atletas com deficiência intelectual. Em 2026, conduziu a equipa portuguesa à conquista de dois títulos europeus nos Jogos Virtus, nas variantes de 3×3 e 5×5.
Apesar desta longa ligação, Cláudio Figueiredo admite que gostaria de experimentar o basquetebol profissional noutro país. Já teve uma oportunidade para sair, que não avançou por não ter chegado a acordo quanto à duração do contrato, e recebeu posteriormente outros convites. Continua, ainda assim, em São Paio de Gramaços. “Mas tenho ambição e gostava de experimentar o basquetebol até noutro país e ser só profissional do basquete”, admite.
Formação quer ultrapassar os 100 atletas
A formação, também coordenada por Cláudio Figueiredo, tem sido igualmente uma das apostas do Sampaense Basket, que nas últimas épocas tem mantido entre 80 e 100 atletas e pretende ultrapassar essa fasquia na próxima temporada. O trabalho desenvolvido nos escalões jovens tem permitido também que vários jogadores cheguem às selecções distritais e à equipa sénior. Na última época, dois sub-17 representaram a selecção distrital de Coimbra de 3×3, que terminou como vice-campeã nacional.
A presença dos jovens nas selecções é, para Cláudio Figueiredo, também uma forma de dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelo clube e de criar novas referências para quem está a começar. Essa exposição junta-se ao trabalho de captação realizado junto das escolas e dos infantários, numa tentativa de aproximar mais crianças da modalidade. O basquetebol feminino, explica o técnico, tem igualmente vindo a crescer no Sampaense. “O nosso objectivo é, no conjunto, continuar a crescer e ter mais atletas na formação”, afirma Cláudio Figueiredo, apontando para mais de 100 praticantes na próxima época.
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc

