Presidente da República inaugurou creche em Penamacor que duplicou a capacidade para 50 crianças e defendeu políticas públicas capazes de fixar população no território.
António José Seguro defendeu este sábado, em Penamacor, que o Interior precisa de políticas públicas de investimento que permitam equilibrar o desenvolvimento do país, considerando que cada investimento realizado nestes territórios tem um impacto que ultrapassa a escala local.
O Presidente da República falava na inauguração da nova creche da Santa Casa da Misericórdia de Penamacor, que permitiu aumentar de 25 para 50 o número de vagas. A obra representou um investimento superior a um milhão de euros, comparticipado pelo Plano de Recuperação e Resiliência e pelo município, que suportou mais de 300 mil euros.
“Inaugurar uma creche no interior não é um mero acto administrativo, mas um sinal de esperança, de que o interior tem condições para receber este tipo de investimento”, afirmou António José Seguro.
O Presidente destacou ainda a continuidade do apoio municipal à obra, iniciado no anterior mandato, de António Luís Beites, e mantido pelo actual executivo, liderado por José Miguel Oliveira. “Era bom que esta cultura se estendesse ao panorama nacional e que houvesse uma continuidade dos projectos e das políticas que têm como objecto melhorar a vida das pessoas”, afirmou.
A intervenção de Seguro foi também marcada pela referência à perda de população no concelho. O Presidente recordou as memórias de infância em Penamacor, quando as ruas estavam cheias de crianças, e contrapôs essa realidade à situação actual.
“Hoje há creche, mas não há crianças”, afirmou, lembrando que nos últimos anos nasceram cerca de 350 crianças no concelho e que existem actualmente cinco pessoas com mais de 65 anos por cada jovem com menos de 15 anos.
Para o Presidente da República, a existência de equipamentos sociais é importante, mas não suficiente para inverter esta realidade. “É um sinal de esperança dado por quem ficou, mas também quem vem, mas estes só ficam se encontrarem as condições básicas que hoje se exigem: emprego, casa, saúde, escola, transporte, vias digitais.”
Seguro defendeu, por isso, uma mudança na forma como o Interior é encarado pelas políticas públicas. “O interior não tem de ser olhado pelas suas dificuldades. Tem de ser visto como um território de oportunidades e merecedor do investimento público, apesar de muitas vezes ser esquecido.”
“O que um milhão aplicado em Penamacor rende mais do que aplicado no litoral e isso tem de ser levado em conta”, afirmou, antes de reforçar: “Portugal não se esgota no litoral. Cada aldeia que se fecha em Trás-os-Montes, nas Beiras ou no Alentejo é Portugal que perde, porque todos contribuem para o todo nacional e o todo não pode deixar ninguém para trás.”
O Presidente da República defendeu ainda que as respostas sociais devem ser construídas em proximidade e criticou as desigualdades no acesso a serviços.
“As respostas sociais assim construídas, em proximidade, com quem precisa, chegam mais longe. Mas proteger, não é sobrecarregar. É inacreditável que o acesso a uma creche dependa do código postal.”
Para Seguro, o sector social deve integrar a resposta pública, mas não substituir o Estado. “Não cabe ao sector social substituir-se ao Estado, mas deve fazer parte da rede que chega onde o Estado ainda não chegou”.
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