Há mais de 500 anos que andamos pelo mundo fora, criando comunidades, gerando famílias multirraciais, logo somos uns verdadeiros especialistas nesta matéria.
Na razão inversa dessas seculares vivências, nunca soubemos acautelar o nosso futuro nesses lugares, com uma integração homogénea, progressiva, segura e produtiva.
Após tantos séculos de viagens, sentámo-nos no sofá e à sombra da bananeira, fomos deixando que outros tomassem conta dos nossos empreendimentos e riquezas.
Nunca soubemos guardar o que tanto nos custou a ganhar, sobretudo em salvar a memória daqueles que deram a sua vida pelo projecto.
Sou favorável à autodeterminação ou independência desses países, porque afinal, fomos uns estrangeiros que os ocuparam, sem perguntar se eles estavam de acordo.
Contudo essa liberdade de gerir o seu próprio país, teve custos que não soubemos salvaguardar e acautelar, apoiando de forma objectiva e séria, todos aqueles, que nesses países investiram as suas economias e também as suas vidas.
Lembro as cidades de Goa, Damão e Diu, bem como o enclave de Dadrá e Nagar Aveli na India.
Fomos literalmente corridos de lá, como o fomos de Angola e para tanto basta lembrar o discurso de Jonas Savimbi quando formou governo tripartido na independência, após os acordos do Alvor, que serviram, unicamente os interesses de potências estrangeiras, que estiveram sempre, em todos este processo, como um gato escondido com o rabo de fora.
As coisas tomaram foro de escândalo, quando os governos da altura, deixaram Macau, com o seu estatuto muito peculiar e particular, terminando com o abandono de Timor.
A “exemplar”descolonização foi a desgraça que se abateu, sobre milhares de famílias que fizeram dessas terras o seu país e também sobre aqueles que tiveram que encontrar um cantinho para os receber, enquanto refugiados no seu próprio país, não esquecendo os naturais que foram vítimas de uma guerra fratricida, apoiada pelos abutres imperialistas.
O mais bizarro de todos estes incidentes históricos, na maior parte das vezes, narrado sem o mínimo de verdade, é que os portugueses estão a ser empurrados para fora do seu berço, para fora da sua cidade, da sua terra e do seu pinhal.
Não vou falar do flagelo dos fogos “acidentais”, originados por “descuidos inocentes” e para que os lusitanos acordem de vez, basta tomar atenção aos “reinos” que estão a ser criados, uns com mais visibilidade, outros disfarçados.
Depois dos fogos, ficámos a conhecer umas dezenas bem largas de casas abandonadas, queimadas e em ruínas, que deveriam ser aproveitadas para alojar aqueles, que não têm casa ou que vivem em condições menos dignas.
É urgente rever os maquiavélicos PDM, onde complicar é a palavra de ordem, sem nexo, sem pareceres técnicos/científicos/habitacionais de repovoamento e sustentabilidade natural.
Taxas, projectos, licenças, vistorias, pareceres, bem com um sem número de entraves ao desenvolvimento e fixação de populações num interior lindo, saudável, a precisar de reciclagem, a bem do futuro que queremos deixar às gerações vindouras.
As autoridades, com a sua incúria, desleixo, apatia, incompetência e muito compadrio à mistura, são os grandes culpados de todo este cenário, que está prestes a fazer concorrência ao famoso poema de Dante, a Divina Comédia, onde ele descrevia os horrores do inferno.
E nós cidadãos, contribuintes que fazemos para que estes senhores “feudais” continuem a olhar para o lado, assobiando novos temas de RAP?
A culpa também é nossa, porque ao permitirmos este estado de coisas, tornamo-nos cúmplices.
Há portugueses que querem reconstruir as suas casas, limpar as matas circundantes ou simplesmente, viver, são impedidos, pelos donos disto tudo, sem apelo nem agravo.
Em sentido inverso, seitas, comunidades e afins, instalam-se no nosso país, sem cumprirem os preceitos legais e as regras a que todos estamos sujeitos, sem que as autoridades investiguem de onde vêm, porque vêm, de onde vem o dinheiro e sobretudo, como o fizeram passar pelas fronteiras, sem nenhuma fiscalização ou justificação.
O mais grave e assombroso é a cumplicidade das autoridades, desrespeitando a constituição portuguesa sem dar provimento ao seu cumprimento por quem tenta, de alguma forma, passar incólume à legislação, que é bem clara nesta matéria.
Artigo 5, aliena 3;
- O Estado não aliena qualquer parte do território português ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras.
Artigo 6, alínea 1
- O Estado é unitário e respeita na sua organização e funcionamento o regime autonómico insular e os princípios da subsidiariedade, da autonomia das autarquias locais e da descentralização democrática da administração pública.
Mais palavras para quê!
Autor: Fernando Roldão
Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico
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