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As obras do PRR e o IC6. Fomos mais uma vez enganados? Autor: Nuno Tavares Pereira

Ficámos hoje a saber por “linhas travessas” (imprensa espanhola) que o Governo português pediu uma ligação rodoviária entre Cáceres e Alpalhão. Mais. Ficámos a perceber a intenção do Governo espanhol e português em quererem unir o transporte rápido (principalmente de mercadorias) entre Lisboa e Madrid. Esta proposta conjunta dos dois países, da qual ninguém fala, coloca os transportes rápidos ferroviários (TEN-T) com ligação entre Lisboa-Badajoz-Cáceres-Ciudad Real-Madrid. A própria ligação Plasencia-Salamanca-Leão é abandonada, ligação essa que passa em três províncias “raianas” com Portugal.

A proposta apresentada no Parlamento Europeu, pelos dois países, muda tudo o que nos têm dito nos últimos anos. Aveiro, Leiria, Coimbra, Guarda e Viseu ficam fora do grande corredor de transportes rápidos para a Europa.

“El cambio puesto encima de la mesa por la Comisión, se puntualiza en el documento, obedece a una petición conjunta de los Gobiernos español y portugués. La propuesta ha sido presentada al Parlamento Europeo y debe pasar también por el Consejo de Europa, si bien no es previsible que registre cambios sustanciales”, podemos ler no “El Periódico Extremadura”.

Ficámos a perceber que a região Centro só vai servir para receberem mais fundos para esses investimentos, mas que são investimentos para as regiões mais desenvolvidas como Lisboa. A prioridade, diz o documento, é Sines.

E o que tem a ver isto com os IC´S e as cinco obras que ficaram fora do PRR, curiosamente todas na região centro?  O IC35 em Sever do Vouga, a ligação a Sul da IP3, a ligação de Monfortinho, a ligação Alfarelos/Taveiro e o IC6/7/37. É que nos disseram que a União Europeia não as aceitava? Mas sabemos agora que as propostas são dos governos e que os governos é que ordenam as prioridades.

Como agora se dá prioridade ao eixo Cáceres-Alpalhão em detrimento do eixo Moraleja-Monfortinho. Como agora se dá prioridade ao eixo Madrid-Sines em detrimento do eixo Madrid-Aveiro. Como agora se dá prioridade ao eixo Litoral ao eixo Interior. Realmente, o investimento passa pelo Interior para levar o Litoral à Europa.

Fomos todos enganados com as propostas que nos deram, e se nos disseram que essas obras seriam para avançar com o leilão do 5G, agora nem com leilão, nem com Governo, porque as eleições servirão para desculpar o adiamento as obras. Só não servem de desculpa para as negociatas metidas à última da hora na mesa da União Europeia.

Todo o Interior da Beira Serra e do Reino de Leão vão perder com estas opções. Afinal, estão a tirar das zonas desfavorecidas para investir nas favorecidas de sempre.

Os dois governos Socialistas abandonaram a Meseta Central da Ibéria, terra dos Lusitanos e dos Vetões. Falamos de injustiças para com estes povos entre o Oceano Atlântico e a Serra de Guadarrama. Povos que alimentaram nações e os católicos. Se um dia estes povos forem outra vez importantes tudo mudará.

 

 

Autor: Nuno Tavares Pereira

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