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Benfeita assinala fim da guerra com 1620 badaladas e avança para classificação da Torre da Paz

A Aldeia do Xisto da Benfeita volta a assinalar o fim da Segunda Guerra Mundial com 1620 badaladas do sino no próximo dia 7 de Maio, gesto que abre a Festa da Paz 2026 e enquadra a candidatura da Torre da Paz a Monumento de Interesse Municipal.

A repetição anual deste ritual, mantida sem interrupções há 81 anos, serve de eixo a um programa que se estende aos dias 9 e 10 de Maio e que cruza memória, criação artística e participação comunitária, reforçando a projecção cultural de uma pequena aldeia do concelho de Arganil.

O toque das 1620 badaladas, uma por cada dia de duração da Segunda Guerra Mundial, remonta a 7 de Maio de 1945, quando a notícia do fim do conflito chegou à aldeia por telefone e fez soar espontaneamente o sino da torre sineira então recém-inaugurada. Desde então, o gesto repetiu-se sempre na mesma data, sustentado pela comunidade local, transformando Benfeita num caso singular, onde a celebração da paz se fixa num conjunto composto por torre, sino e relógio.

É a partir desta continuidade que a edição de 2026 introduz um novo elemento, a apresentação da candidatura da Torre da Paz a Monumento de Interesse Municipal. Construída em 1945 por iniciativa de Mário Mathias, jurista natural da aldeia, a estrutura passou de resposta imediata ao fim da guerra a suporte material de uma prática colectiva que atravessa gerações. A candidatura procura reconhecer o valor patrimonial, simbólico e identitário da torre para a comunidade local.

A dimensão do gesto ganha particular relevo num momento internacional marcado por conflitos armados e tensões geopolíticas, contexto em que, de acordo com o município de Arganil, as 1620 badaladas assumem não apenas um papel de memória, mas também de reflexão sobre a fragilidade da paz e a necessidade da sua construção permanente.

O programa distribui-se por três dias e articula-se em torno desse núcleo simbólico. No dia 7, para além das badaladas, realiza-se a apresentação da candidatura e uma visita à exposição “Memória e Totalitarismo na Europa”. Nos dias seguintes, a aldeia abre-se a percursos com declamação de poesia, actividades artísticas, concertos e momentos de convívio, incluindo um almoço comunitário e iniciativas ligadas à literatura e à gastronomia local.

A continuidade do ritual e o alargamento do programa colocam, segundo a CM de Arganil, a Benfeita num duplo movimento, preservação de uma prática comunitária e construção de um espaço de encontro que, a partir de um gesto repetido ao longo de décadas, mantém viva uma ideia de paz num tempo em que essa memória volta a ser posta à prova.

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