A arte de construções de pedra seca na Serra do Caramulo foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), em regime de salvaguarda urgente. A decisão foi publicada esta terça-feira, 13 de Outubro, em Diário da República, por proposta do Departamento de Bens Culturais do Património Cultural, I. P.
A construção em pedra seca consiste em erguer muros e outras estruturas através do encaixe de pedras, sem recurso a argamassa ou a outros materiais de ligação. Esta técnica tradicional está presente na paisagem da Serra do Caramulo, nomeadamente em muros de delimitação de terrenos agrícolas, palheiros, espigueiros e casas, bem como em caleiros e levadas que transportam água para os campos.
O processo de inscrição foi liderado pelo Município de Tondela e contou com a participação dos municípios de Vouzela, Oliveira de Frades, Mortágua e Águeda, cujos territórios também abrangem a Serra do Caramulo.
A classificação reconhece a importância desta arte para a identidade das comunidades serranas e a sua dimensão histórica, social e cultural. O documento publicado em Diário da República destaca os riscos que ameaçam a continuidade deste saber tradicional e a necessidade de proteger os contextos em que é transmitido.
A decisão sublinha ainda a urgência de desenvolver medidas que assegurem a continuidade desta prática, valorizem as comunidades que a mantêm e promovam a sua articulação com o desenvolvimento sustentável do território.
A presidente da Câmara Municipal de Tondela, Carla Antunes Borges, manifestou satisfação com a inscrição, considerando que esta contribui para valorizar um elemento ainda presente na paisagem serrana e em várias localidades do concelho.
“Temos construções de pedra seca em muitos locais, em muros que delimitam pequenas parcelas agrícolas, palheiros e espigueiros e até mesmo em casas nos centros das nossas aldeias”, afirmou. A autarca destacou também a presença desta técnica nos caleiros e nas levadas que levam água a muitas terras da Serra do Caramulo, considerando a pedra seca “uma marca identitária do território”.
Segundo Carla Antunes Borges, o trabalho deverá prosseguir, não só com a salvaguarda deste saber ancestral, mas também com a reabilitação da arquitectura regenerativa e a promoção da sustentabilidade do território e da paisagem.
Candidatura à UNESCO é o próximo objectivo
Depois da inscrição no inventário nacional, o Município de Tondela pretende avançar com a inclusão das construções de pedra seca do Caramulo na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Em 2018, oito países — Chipre, Croácia, Eslovénia, Espanha, França, Grécia, Itália e Suíça — viram reconhecida a arte de construção em pedra seca. A intenção passa agora por solicitar a estes países a inclusão das construções do Caramulo na iniciativa conjunta.
Esta é a terceira manifestação cultural do concelho de Tondela a integrar o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, na sequência de processos promovidos pelo município. A primeira foi a Festa das Cruzes do Guardão, inscrita em Janeiro de 2025, seguindo-se, em Abril do mesmo ano, o Processo de Produção do Barro Negro de Molelos.
“Estas três inscrições comprovam o esforço e empenho que o executivo municipal tem adoptado no sentido de salvaguardarmos e promovermos dentro de portas e além-fronteiras as nossas tradições e manifestações culturais mais genuínas e que são parte integrante do ADN de Tondela”, afirmou Carla Antunes Borges.
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