Os concelhos de Fornos de Algodres, Celorico da Beira, Guarda e Nelas vão ser afectados pelas descargas controladas da barragem do Caldeirão nas noites de 24, 25 e 26 de agosto, entre as 22h00 e as 05h00.
Será libertado um caudal adicional de 5 metros cúbicos por segundo para reforçar temporariamente o escoamento do rio Mondego, numa altura em que os reduzidos caudais estão a preocupar os municípios situados a montante da barragem da Aguieira, que já alertaram a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
A medida prevê a utilização de água armazenada na albufeira do Caldeirão, no concelho da Guarda, para melhorar as condições de escoamento e contribuir para a recuperação das condições ambientais do rio.
A libertação de água pretende também assegurar o normal funcionamento das utilizações existentes no Mondego, incluindo o abastecimento de água às populações e o funcionamento da praia fluvial da Ponte de Juncais, em Fornos de Algodres.
As descargas serão realizadas durante a noite, de forma a compatibilizar o reforço dos caudais com os diferentes usos do rio e a minimizar eventuais impactos nas zonas balneares situadas a jusante.
A situação resulta da forte redução das disponibilidades hídricas registada nas últimas semanas. Julho foi o mês mais seco deste século em Portugal continental e o oitavo mais seco desde 1931, com uma precipitação média de apenas 0,8 milímetros, de acordo com os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) citados pela APA.
A precipitação excepcionalmente reduzida, conjugada com as temperaturas elevadas e as sucessivas ondas de calor, provocou uma diminuição acentuada dos caudais do Mondego.
A redução da circulação da água já é visível em zonas de menor circulação, onde se registam empoçamentos, sinais de eutrofização e proliferação de algas, situações que podem afectar a qualidade da água e os ecossistemas aquáticos.
Durante os períodos de descarga, a população e os utilizadores do rio são aconselhados a adoptar comportamentos de precaução e a evitar a aproximação ou permanência junto ao leito e às margens do Mondego.
A APA garante que continuará a acompanhar os caudais e a qualidade da água e poderá adoptar novas medidas caso a evolução das condições hidrológicas e meteorológicas o justifique.
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