O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) contestou o relançamento do projecto da barragem de Girabolhos, considerando que a futura infra-estrutura representa “um erro estratégico” para a gestão da bacia do Mondego e defendendo que o Governo reavalie a decisão antes de avançar com a obra.
A tomada de posição surge no dia em que a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, se desloca a Gouveia para anunciar o lançamento do concurso público para a concessão do Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos de Girabolhos, retomando um projecto anunciado em 2007 e cujo primeiro concurso acabou por ser cancelado em 2016.
Em comunicado, o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) considera que a barragem não tem uma missão suficientemente justificada, defendendo que não constitui uma solução eficaz para reduzir as cheias no Baixo Mondego, nem responde de forma significativa às necessidades de abastecimento de água ou de produção de energia hidroeléctrica.
A associação ambientalista sustenta ainda que a construção da barragem implicaria a submersão de ecossistemas ribeirinhos, áreas agrícolas e territórios rurais, com impactos na paisagem, na biodiversidade, na actividade agrícola e no ecoturismo. Defende igualmente que o projecto não deve avançar sem uma avaliação de impacte ambiental actualizada e uma análise independente das alternativas disponíveis.
Citada no comunicado, a coordenadora do Programa Rios Livres do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), Ana Catarina Miranda, afirma que “Girabolhos é uma falsa solução para problemas reais”, defendendo que o investimento público deveria privilegiar soluções baseadas na natureza, a recuperação dos rios e uma gestão integrada da bacia hidrográfica do Mondego.
O GEOTA considera ainda que o lançamento do concurso procura “criar um facto consumado” antes de ser promovido um debate técnico e público sobre as alternativas para a gestão da bacia do Mondego.
O projecto da barragem de Girabolhos foi integrado em 2007 no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico. O primeiro concurso foi lançado em 2008, mas acabou por ser cancelado em 2016. Com o novo procedimento concursal, o Governo pretende retomar uma infra-estrutura que considera estratégica para aumentar a capacidade de armazenamento de água, reforçar a produção de energia hidroeléctrica e melhorar a gestão dos recursos hídricos da bacia do Mondego.
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