“Bilhete Postal” desde a ex-Zona Industrial de Oliveira do Hospital.
De início, o “verbo” da propaganda da maioria partidária da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, dizia que a Zona Industrial na freguesia da Cidade, era tão avançada que seria mesmo de “5ª geração ou 5G”. Um autêntico prodígio assente em alguns milhões de euros de dinheiros públicos…
Aliás era tão, tão “avançada” (ou “avençada” …) que terrenos houve os quais, por causa de compra por expropriação mal engendrada, acabaram por gerar uma grande despesa em indemnizações – 500 mil euros – a pagar do Orçamento Municipal ao ex-proprietário desses terrenos. Um negócio desastroso que, agora, a mesma maioria partidária que hegemoniza a Câmara procura fazer esquecer…
E já no ano corrente (2025) classificaram a velha/nova Zona Industrial por “Área de Acolhimento Empresarial de Nova Geração”, uma designação com laivos “modernaços” de propaganda pretensiosa.
E fizeram chover alegados atributos da “coisa” onde, disseram-nos também, iriam ser investidos mais 6,5 milhões de Euros em dinheiros públicos “caçados” no âmbito do “tiro ao boneco” que é o PRR, vulgo “bazuca”. Para lá instalarem não sei quantas telecomunicações do “último grito” e um sistema de acesso a “hidrogénio líquido”. Até hoje, não sabemos por onde andam uma e outra destas “coisas” tão modernaças, segundo a Câmara Municipal.
E, de repente, aparentemente sempre na busca luminosa das ditas “energias renováveis”, eis que anunciam a instalação, lá perto, de uma bateria de Painéis Solares Fotovoltaicos (a energia solar) para produção própria de energia eléctrica. Bom, a ideia nem será má. Desejamos mesmo que se concretize bem que o apoio ao “tecido empresarial” é indispensável.
Mas, para já, a principal consequência de tanta propaganda, foi passarem, (a Câmara ou alguém por ela…), a designação de Zona Industrial de “5 G” para “Área de Acolhimento Empresarial de Nova Geração”. Afinal, a tal “5 G” antes mesmo de o ser…já o era… Enfim, haja “criatividade” na “velha” propaganda!…
E que, para não discriminarem negativamente outras zonas industrializadas ou a industrializar, que sejam instalados pelo menos mais painéis solares para produção de energia eléctrica destinada a mais e mais empresas e empresários para também, por aí, estes terem estímulos objectivos para produzir e para pagar melhor aos seus trabalhadores e trabalhadoras. Viva!
E foi com alguma consternação nossa que permaneceu muitos dias seguidos, a meio da estrada que atravessa esta ex-Zona Industrial de Oliveira do Hospital, um jerricã plástico, cor branca, supostamente destinado a assinalar o estorvo constituído, repete-se, a meio dessa estrada, por uma caixa de escoamento de águas pluviais com uma grelha metálica por qualquer motivo desposicionada e saliente, em cima!
Mas hoje, dia 4 de Julho (meia tarde), calcule-se, o jerricã – vi-o! – encontrava-se arrebentado, esventrado, com a carga do “bojo branco” espalhada pelo asfalto, a meio da tal estrada na ex-Zona Industrial…
E por isso se pode dizer que pelo menos aparenta existir uma flagrante contradição na propaganda camarária. Afinal, como se compatibiliza uma “área empresarial de nova geração” com um “abcesso” destes, tipo jerricã dos do século passado, ali “plantado” dias e dias a fio, a meio de uma rua toda modernaça em projecto que custará vários milhões do “nosso” dinheiro público, “abazucado” ou não.
Ai, ai ! “O tempora! O mores !” (Ó tempos ! Ó costumes!) – elevemos assim a expectativa…linguística pelo menos…
Autor: João Dinis, Jano
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