“Somos todos imigrantes. Ninguém tem moradia fixa nesta terra”,
Papa Francisco
Tema de culpabilização e agressão nas lutas e debates políticos, de conflitos físicos na vida social e de grande necessidade para a vida económica, a imigração é referida por especialistas como o mais delicado e grave problema da Europa. E eu, somente por intuição, também assim o considero.
Nas recentes eleições europeias, as atitudes em relação aos imigrantes, foram instrumentalizadas para gerar apoio a partidos nacionalistas de extrema esquerda e direita. A imigração alimenta uma reação hostil e feroz na sociedade.
Enquanto alguns defendem que todos têm o direito de compartilhar a prosperidade e liberdade de uma Europa rica, outros, veem a imigração como a entrada de invasores que só vêm usufruir dos bens, oportunidades, segurança a que só eles têm direito.
Do lado dos economistas, como a de Pritchett que argumenta que “se 1,1 bilhão de pessoas fossem autorizadas a se mudar e seu ganho salarial médio fosse de US$ 15 mil anualmente em termos de poder de compra, o ganho total seria de US$ 16,5 triliões.” só se vê a imigração com olhares benignos.
Ignoram o fato de que os imigrantes são pessoas cujos descendentes podem ficar permanentemente nos países, o que se transforma num fator de identidade nacional.
-Atrevo-me a opinar sobre este tema por a minha reforma depender da imigração.
-Obrigo-me a referi-la como ex-agente económico.
-Devemos e precisamos de a discutir por uma questão de responsabilidade social.
Comecemos pelo meu egoísmo. Como se pode pagar a minha
reforma, num país onde há 200 velhos para pouco mais de 100
jovens?
Só com os imigrantes!
Como pode a agricultura, a indústria e o comércio sobreviverem e prosperarem no segundo País da Europa com a mais baixa taxa de crescimento demográfico?
Só com os imigrantes!
Como podem os gestores políticos manter ou melhorar os serviços de transporte, saúde, habitação, desenvolvimento económico e garantir a sustentabilidade social numa época em que assistimos à combinação do envelhecimento com a baixa fertilidade da população?
Só com os imigrantes!
Esta situação de dependência é o resultado da falta de capacidade e visão estratégica dos políticos europeus, que não foram capazes de antever estes movimentos como consequência da globalização.
A diferença dos salários médios entre países ricos e os mais pobres é impressionante. Em 2021, de acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), os salários médios mensais na Etiópia eram 5% dos da Alemanha. Mesmo na Índia, representavam apenas 15%.
Como não se entender que milhões e milhões de seres humanos sonhem e corram riscos de vida, imigrando para países onde podem ganhar mais num mês do que ganhariam num ano no seu próprio país?
Ao dia de hoje assistimos a confrontos sociais violentos em Inglaterra, país que se orgulhava da sua estratégia de assimilação migratória. Apesar de os incidentes terem surgido devido a falsa alegações sobre o ataque de um pseudo imigrante vários políticos de direita anti-imigração, embora condenando a violência em si, alegaram que a agitação é a evidência de que a imigração precisa de ser restringida.
Que se deve fazer para evitar que tais incidentes e confrontos aconteçam no nosso Concelho? Culpar a extrema-direita? Culpar a extrema-esquerda?
Não sejamos naïfs mais, sim, alterar as estratégias políticas e empresariais de forma a que se garantam as reformas, a manutenção, o crescimento das empresas e aos jovens um futuro com objetivos que possam ser alcançados.
Num próximo artigo (Imigração e as empresas e políticos
autárquicos do nosso Concelho) opinarei sobre estratégias para o nosso Concelho, na perspetiva de cidadão responsável e ex-empresário agradecido aos trabalhadores deste Concelho.
Agosto,9,2024
Autor: Carlos Brito
* Fundador da empresa Davion
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc
