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Imigração. Autor: Carlos Brito* 

“Somos todos imigrantes. Ninguém tem moradia fixa nesta terra”,

Papa Francisco

 

Tema de culpabilização e agressão nas lutas e debates políticos, de conflitos físicos na vida social e de grande necessidade para a vida económica, a imigração é referida por especialistas como o mais delicado e grave problema da Europa. E eu, somente por intuição, também assim o considero.

Nas recentes eleições europeias, as atitudes em relação aos imigrantes, foram instrumentalizadas para gerar apoio a partidos nacionalistas de extrema esquerda e direita. A imigração alimenta uma reação hostil e feroz na sociedade.

Enquanto alguns defendem que todos têm o direito de compartilhar a prosperidade e liberdade de uma Europa rica, outros, veem a imigração como a entrada de invasores que só vêm usufruir dos bens, oportunidades, segurança a que só eles têm direito.

Do lado dos economistas, como a de Pritchett que argumenta que “se 1,1 bilhão de pessoas fossem autorizadas a se mudar e seu ganho salarial médio fosse de US$ 15 mil anualmente em termos de poder de compra, o ganho total seria de US$ 16,5 triliões.” só se vê a imigração com olhares benignos.

Ignoram o fato de que os imigrantes são pessoas cujos descendentes podem ficar permanentemente nos países, o que se transforma num fator de identidade nacional.

-Atrevo-me a opinar sobre este tema por a minha reforma depender da imigração.

-Obrigo-me a referi-la como ex-agente económico.

-Devemos e precisamos de a discutir por uma questão de responsabilidade social.

Comecemos pelo meu egoísmo. Como se pode pagar a minha

reforma, num país onde há 200 velhos para pouco mais de 100

jovens?

Só com os imigrantes!

Como pode a agricultura, a indústria e o comércio sobreviverem e prosperarem no segundo País da Europa com a mais baixa taxa de crescimento demográfico?

Só com os imigrantes!

Como podem os gestores políticos manter ou melhorar os serviços de transporte, saúde, habitação, desenvolvimento económico e garantir a sustentabilidade social numa época em que assistimos à combinação do envelhecimento com a baixa fertilidade da população?

Só com os imigrantes!

Esta situação de dependência é o resultado da falta de capacidade e visão estratégica dos políticos europeus, que não foram capazes de antever estes movimentos como consequência da globalização.

A diferença dos salários médios entre países ricos e os mais pobres é impressionante. Em 2021, de acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), os salários médios mensais na Etiópia eram 5% dos da Alemanha. Mesmo na Índia, representavam apenas 15%.

Como não se entender que milhões e milhões de seres humanos sonhem e corram riscos de vida, imigrando para países onde podem ganhar mais num mês do que ganhariam num ano no seu próprio país?

Ao dia de hoje assistimos a confrontos sociais violentos em Inglaterra, país que se orgulhava da sua estratégia de assimilação migratória. Apesar de os incidentes terem surgido devido a falsa alegações sobre o ataque de um pseudo imigrante vários políticos de direita anti-imigração, embora condenando a violência em si, alegaram que a agitação é a evidência de que a imigração precisa de ser restringida.

Que se deve fazer para evitar que tais incidentes e confrontos aconteçam no nosso Concelho?  Culpar a extrema-direita? Culpar a extrema-esquerda?

Não sejamos naïfs mais, sim, alterar as estratégias políticas e empresariais de forma a que se garantam as reformas, a manutenção, o crescimento das empresas e aos jovens um futuro com objetivos que possam ser alcançados.

Num próximo artigo (Imigração e as empresas e políticos

autárquicos do nosso Concelho) opinarei sobre estratégias para o nosso Concelho, na perspetiva de cidadão responsável e ex-empresário agradecido aos trabalhadores deste Concelho.

Agosto,9,2024

Autor: Carlos Brito

* Fundador da empresa Davion

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