O executivo da Junta de Freguesia de Meruge acusa a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de não ter apresentado os resultados da monitorização das descargas poluentes no rio Cobral durante a reunião realizada na passada sexta-feira, considerando que a principal expectativa do encontro saiu gorada. Num comunicado divulgado esta quarta-feira, a Junta defende que a despoluição do curso de água só será efectiva quando forem eliminadas as fontes de poluição, considerando insuficiente o projecto de renaturalização anunciado pela APA.
A posição é assumida num comunicado assinado pelo presidente da Junta, João Abreu, e pelas vogais Sofia Viegas e Sandra Gouveia, na sequência da reunião promovida pelo Município de Oliveira do Hospital, que contou com representantes da APA, do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), das câmaras municipais de Oliveira do Hospital e de Seia e da Junta de Freguesia de Meruge.
No documento, o executivo recorda que, na reunião realizada a 17 de Junho, a APA anunciou a instalação de equipamentos de monitorização nas fábricas de lacticínios da Catraia de São Romão e Carragosela para medir as cargas poluentes descarregadas no rio Cobral. A Junta afirma que esperava conhecer os resultados dessa monitorização na reunião da passada sexta-feira, mas lamenta que, um mês e meio depois, não tenham sido divulgados quaisquer dados nem anunciadas medidas concretas em função das leituras efectuadas, questionando se esse período não foi suficiente para apurar os valores registados.
Segundo a Junta, em vez de apresentar esses resultados e anunciar medidas destinadas a travar as descargas poluentes, a APA apresentou o projecto de renaturalização do rio Cobral, iniciativa que, refere o comunicado, foi acolhida “com grande entusiasmo” pelos presidentes das câmaras municipais de Oliveira do Hospital e de Seia.
O executivo faz questão de esclarecer que não contesta a intervenção de recuperação ecológica do rio. “Se é importante limpar as margens e o leito do rio Cobral, claro que é”, refere o comunicado. Contudo, sustenta que essa medida, por si só, não resolverá o problema enquanto persistirem as descargas de efluentes das fábricas de lacticínios. “Não é o rio que se polui a si próprio, são as fábricas de lacticínios. O que resolve é agir sobre as fontes poluidoras e não lançar projectos sonantes para fazer esquecer que elas existem”, lê-se no documento.
“A despoluição do rio só será efectiva quando se eliminarem as fontes poluidoras”, acrescenta o executivo, considerando que actuar apenas sobre o leito e as margens significa tratar os efeitos e não as causas da contaminação. Para ilustrar essa posição, a Junta compara a situação à de “um paciente que necessita de antibiótico para debelar uma infecção galopante e o médico, em vez de lho ministrar, manda cortar as unhas e o cabelo ao enfermo, para que morra asseado”.
O comunicado recorda ainda que, nas últimas semanas, a água do rio Cobral tem corrido com melhor aspecto, mas atribui essa evolução à pressão pública gerada pela mediatização do caso, pelas denúncias apresentadas, pela moção aprovada pela Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital e pela petição pública, e não às medidas entretanto anunciadas pelas entidades responsáveis pelo acompanhamento do processo.
O executivo da Junta de Freguesia de Meruge conclui reafirmando que continuará a defender a eliminação das fontes de poluição como condição indispensável para a recuperação do rio Cobral, afirmando que não participará em “encenações mediáticas” nem em “operações de cosmética”.
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