A Santa Casa da Misericórdia de Seia garante que não recebeu, até ao momento, qualquer proposta formal para voltar a gerir o Hospital Nossa Senhora da Assunção, nem foi contactada pelo Governo ou por outra entidade pública com esse objectivo. A Câmara Municipal de Seia diz, por seu lado, que também não conhece qualquer proposta concreta para a reversão da gestão do hospital, nem estudos que demonstrem que essa alteração melhoraria os cuidados prestados.
A posição das duas entidades surge na sequência das notícias sobre uma eventual reversão da gestão de hospitais das Misericórdias nacionalizados em 1975, entre os quais se inclui o hospital de Seia. A Santa Casa recorda que geriu o Hospital Nossa Senhora da Assunção até à nacionalização, em 11 de Novembro de 1975.
Apesar da nacionalização, o terreno e o edifício onde funciona o hospital permaneceram propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Seia. A utilização das instalações pela Unidade Local de Saúde da Guarda é actualmente regulada por um contrato ao abrigo do qual é paga uma renda à instituição.
Num comunicado divulgado esta quarta-feira, a Misericórdia diz estar disponível para analisar qualquer proposta que venha a ser apresentada, mas estabelece como condições a melhoria da qualidade dos cuidados, a preservação dos serviços actualmente disponibilizados e a salvaguarda dos direitos e da estabilidade dos profissionais. A instituição defende ainda que qualquer solução deverá garantir a sua sustentabilidade económica e financeira e não pôr em causa a sua missão social.
Também a Câmara Municipal de Seia considera que uma eventual alteração da gestão deve ser avaliada com base em dados concretos. A autarquia afirma que não tem conhecimento de “qualquer estudo técnico, económico ou assistencial” que demonstre que a reversão da gestão representaria uma melhoria para os utentes, os profissionais ou a qualidade dos cuidados prestados.
A Câmara defende que uma decisão desta dimensão não deve assentar em especulações e reclama uma análise transparente dos impactos para o concelho e para a região. A autarquia diz manter uma relação de cooperação institucional com a Misericórdia de Seia, mas sublinha que a discussão deverá decorrer de forma aberta e esclarecida perante a comunidade.
A prioridade da Câmara, afirma a autarquia, é a defesa de um hospital “cada vez mais qualificado”, com melhores instalações e condições para os profissionais e capaz de prestar cuidados de saúde de qualidade à população.
A Santa Casa garante, por seu lado, que acompanhará a evolução do processo e prestará esclarecimentos quando existirem factos concretos. A instituição afirma que qualquer eventual alteração da gestão deverá ser avaliada em função do interesse público, da qualidade dos cuidados de saúde e dos interesses da comunidade de Seia.
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