A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) anunciou, na reunião realizada na passada sexta-feira para acompanhar as descargas poluentes no rio Cobral, a intenção de avançar com um projecto de renaturalização daquele curso de água. O presidente da Junta de Freguesia de Meruge considera, contudo, que a recuperação ambiental só produzirá resultados se forem eliminadas as fontes de poluição.
O encontro, promovido pelo Município de Oliveira do Hospital, reuniu representantes da APA, do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) de Coimbra e da Guarda, da GNR, das câmaras municipais de Oliveira do Hospital e de Seia e da Junta de Freguesia de Meruge. A presença do presidente da Câmara de Seia, Luciano Ribeiro, constituiu uma das novidades da reunião, numa altura em que a poluição do rio continua a afectar os dois concelhos.
Segundo um comunicado divulgado pelo Município de Oliveira do Hospital, o projecto abrangerá todo o percurso do rio, desde a nascente até à foz, contemplando a recuperação ecológica do leito e das margens, a remoção de espécies invasoras, a requalificação da vegetação ribeirinha e outras intervenções destinadas a melhorar a qualidade da água, a biodiversidade e a resiliência do ecossistema.
Na mesma nota, a autarquia oliveirense refere que a APA informou estar a desenvolver, em articulação com o SEPNA, acções de monitorização das descargas de efluentes provenientes de algumas empresas do sector dos lacticínios e que essas empresas perspectivam realizar investimentos nas respectivas infra-estruturas de tratamento. Mas, ao que foi possível apurar, mais de um mês e meio depois da instalação dos equipamentos destinados a verificar o cumprimento dos parâmetros licenciados nas descargas por parte das empresas, os resultados dessas medições continuam por divulgar. Durante a reunião também não foi indicado quando estarão disponíveis.
O presidente da Junta de Freguesia de Meruge, porém, mostrou-se muito céptico em relação ao alcance das medidas anunciadas na reunião. João Abreu disse ao Correio da Beira Serra que o encontro “não trouxe nada de novo” e defendeu que a renaturalização do rio não resolverá o problema enquanto persistirem as descargas poluentes. “Podem limpar tudo, mas se as fontes de poluição continuarem a descarregar para o rio, isso não resolve nada”, afirmou, considerando mesmo que a intervenção poderá agravar os efeitos da poluição ao eliminar a vegetação que actualmente ajuda a reter parte dos resíduos transportados pela água.
O autarca salientou ainda que, nas últimas três semanas, a água do rio Cobral tem corrido limpa, mas atribui essa melhoria à pressão pública gerada pelas denúncias, pela aprovação de uma moção na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, pelas iniciativas parlamentares sobre o caso e pela cobertura mediática. Na sua opinião, foi essa exposição pública que levou as empresas a reduzirem as descargas, e não a actuação das entidades responsáveis pela fiscalização e acompanhamento do processo.
No comunicado divulgado hoje, o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, por seu lado, considerou que o projecto de renaturalização representa “um passo importante” para a recuperação ambiental do rio Cobral e defende a continuação do trabalho conjunto entre as várias entidades envolvidas.
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